quarta-feira, 31 de julho de 2013

Quanta raiva e amargura corre por aí.... "Liberté" (Liberdade),de Paul Éluard.

Quanta raiva e amargura corre por aí....
Assusta-me o modo como a minha gente julga esconder o pavor que sofre, imitando raivas e desdéns, sabendo que no fundo, bem no fundo, o que a atormenta são as incertezas, as incógnitas, a insegurança...
Em Janeiro de 1942, este poema "Liberté" (Liberdade),de Paul Éluard, chegou às mãos da resistência francesa e deu um novo alento, à luta pela libertação da ocupação nazi.

Nos meus cadernos da escola
Na minha carteira nas árvores
Sobre a areia e sobre a neve
Escrevo o teu nome

Em todas as páginas lidas
Em todas as páginas em branco
Pedra sangue papel ou cinza
Escrevo o teu nome

Na selva e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
Na memória da minha infância
Escrevo o teu nome

Em cada raio da aurora
Sobre o mar e sobre os barcos
Na montanha enlouquecida
Escrevo o teu nome

Na saúde recuperada
No perigo desaparecido
Na esperança sem lembranças
Escrevo o teu nome

E pelo poder de uma palavra
a minha vida recomeça
Eu renasci para conhecer-te
Para dizer o teu nome

Liberdade.
(Paul Éluard)

Ah, como dói viver quando falta a esperança! (Desesperança, Poema de Manuel Bandeira).

Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo. . .

O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento

Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.

Assim deverá ser a natureza um dia,

Quando a vida acabar e, astro apagado,
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.

O demônio sutil das nevroses enterra

A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...

Minha respiração se faz como um gemido.

Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.

Por onde alongue o meu olhar de moribundo,

Tudo a meus olhos toma um doloroso aspeto:
E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.

Vejo nele a feição fria de um desafeto.

Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...
- Ah, como dói viver quando falta a esperança!
(Manuel Bandeira)
Dir-me-ão que os meus lamen­tos nada acres­cen­tam, que o meu ce­ti­cismo só agrava a depres­são que é já de todos. E eu, humil­de­mente, con­cedo que sim...


terça-feira, 30 de julho de 2013

A insensibilidade social e o vazio cultural dos nossos "Governantes" é uma lição de abismo...

"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."

Sem fim à vista continua a rodagem do filme "SWAPS". Tem um argumento medíocre, é servido por actores medíocres e realizado por um também medíocre realizador. No entanto a sua rodagem e produção é assegurada pelos contribuintes, chamados a um mecenato que não desejam e de que não conseguem defender-se.
É mau demais.
Impossível ignorar que amanhã, dia 31 de Julho, um número significativo de professores do Quadro (alguns com 30 anos de serviço ou mais) irão passar à mobilidade especial. Isto significa que quase nenhum professor contratado terá qualquer hipótese de colocação no próximo ano lectivo. Impossível ignorar que o número de alunos por turma aumentou, os mega agrupamentos reúnem uns milhares de alunos de todos os níveis de ensino e de uma área em quilómetros que não cabe na cabeça de ninguém, as turmas autorizadas pelo ME podem não incluir algumas das que já estão formadas nas escolas e os Cursos Profissionais estão a ser subtilmente encaminhados para o IEFP...

Roubaram-me o Sono ... e eu resisti
depois o Dinheiro ... e eu aguentei
a seguir os Sonhos ... e eu ajustei-me
de seguida a Esperança ... aí vacilei
seguiu-se o Grito ... que sufoquei

 roubarem o FUTURO DOS MEUS FILHOS...o Futuro de tantos!!!
É demais ...


Briefings do dia... A verdadeira "Marilu" e o excelente negócio dos submarinos!!!...

Com a prestimosa "adjuda" de Pedro Lomba, o secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional (um espanto, estes títulos!), já se começam a distinguir os contornos deste novo tipo de "comunicação" governamental, a prometer mundos e fundos, a lavar a cara aos ministros para torná-los apresentáveis, a traçar contornos e perfis, a delinear os desafios que há pela frente, a falar pela "troika", a dar conta daquilo que o governo fez e desfez, do que faz e desfaz e do que pensa fazer e desfazer, seja a curto, médio ou longo prazo, querendo impingir a ideia de que entrou em novos e abrangentes moldes, que o ritmo está a acelerar e que todos estão ocupadíssimos, a gerir o barco e a enfrentar a grande tormenta.
Os meus briefings:
-Este excelente negócio dos submarinos e das contrapartidas envolvidas, recorda-me, de novo, uma afirmação muito interessante de Nuno Brederode dos Santos numa crónica antiga no Expresso, "Os Negócios Estrangeiros em Portugal raramente são bons negócios mas, quando o são, então são, de facto, estrangeiros".
Será destino?
-É grande e admirável a MULHER que reage assim , hoje no parlamento, teatro, a não perder!!!...(quem é quem?)....Marilu!!!
Quando o Governo recorre à encenação, ao espectáculo de feira, dia sim, dia não, é porque perdeu o pé, já não controla nada (nem a si próprio) e anda a esbracejar à procura de uma saliência onde se agarrar.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

A prática arrogante do MEC e da sua política...Mais um capítulo da PEC - Política Educativa em Curso.

Como tem vindo a ser referido no universo da educação, o MEC decidiu definir a rede escolar para o próximo ano lectivo à revelia do trabalho e propostas desenvolvidos pelas escolas com base, evidentemente, do seu conhecimento do contexto e demografia que servem. Dados os antecedentes do Ministério este comportamento arbitrário não é de todo estranho.
É verdade que ser o MEC a decidir administrativamente o número de turmas a funcionar é pouco compatível com a retórica sobre a autonomia das escolas e agrupamentos mas muito coerente com a prática arrogante do MEC e da sua política assente na diminuição de professores e muito provavelmente no criar de algumas oportunidades de negócio a alguns estabelecimentos de ensino particular.
A consequência da aplicação do despacho que chegou às escolas e agrupamentos é a diminuição significativa do número de turmas a funcionar no próximo ano.
Como vai sendo habitual o Ministro Nuno Crato já veio dizer que existe alguma precipitação na interpretação do despacho, claro, a iliteracia dos responsáveis pelas escolas não permite mais, que é apenas uma proposta e que ainda não está fechada, lembremos os discursos sobre a mobilidade especial dos professores, e que "nenhum aluno ficará sem turma" restando saber que turma, em que escola e com que dimensão.

Nos países desenvolvidos é-se governado por gente "desenvolvida"...


O tempo..... Não o meteorológico, mas aquele que utilizamos ou não num proveito qualquer. Usamo-lo sempre, está certo, ainda que possamos nada fazer para tal. Usamo-lo quando discorremos sobre um assunto que ninguém ouve, tanto como quando nos calamos para que o mundo nos possa ouvir. Tendemos globalmente a dar por mal empregue aqueles tempos em que vazamos o espírito e nos ausentamos do mundo, como se deles não dependêssemos enquanto pessoas que somos.

Assim é por razões várias, nunca por falta de tema.... e são tantos!!! ... O "golpe"de Portas, a incompetência de Cavaco, a ingenuidade de Coelho, a nulidade de Seguro, a imbecilidade de Soares... A música que se ouve, os livros que se lêem…, as coisas da vida ...

Como estou? Desperta, revoltada a pensar que um país desenvolvido procurava fazer uma reforma do Estado onde os funcionários públicos que"fazem o que não é preciso" ( seja lá o que isso for), fossem requalificados e integrados socialmente, em vez de serem enviados para o desemprego!


domingo, 28 de julho de 2013

Na verdade, o melhor povo do mundo merecia um pouco mais e um pouco melhor...

"São os passos que fazem os caminhos." 
Apenas a memória é espectadora silenciosa e atenta.

A sabedoria popular dirá, "Diz o roto ao nu, porque não te vestes tu" ou, de outra maneira, "É tudo farinha do mesmo saco".
Na verdade, o melhor povo do mundo merecia um pouco mais e um pouco melhor. Será destino ou provação?
Adiante...
Na impresa de hoje, lê-se,  que uma auditoria do Tribunal de Contas detectou um buraco de seis mil milhões de euros nas Parcerias Público Privadas de quatro hospitais. (E já para não falar na despudorada e impune administração de Alberto João Jardim).
As  PPPs em modo português, de uma forma geral, são uma estranha e assimétrica parceria, um parceiro assume os encargos e os riscos e o outro parceiro recebe os lucros.
Mais grave, é ter-se continuado a assistir à defesa destes comportamentos, à impunidade dos responsáveis e ao aumento dos custos que esta ruinosa e irresponsável política envolve.
Na verdade, o tempo e a distância providenciam a lucidez, tornam-se no escultor de que fala Yourcenar. Por isso mesmo, uma trapalhada com maus resultados óbvios de que todos os envolvidos são responsáveis, será sempre uma trapalhada e os envolvidos serão responsáveis.
Se serão responsabilizados, bom, isso é uma outra questão. Estamos em Portugal.

Andamos nisto!!! A triste figura da "União Nacional"...

Os desempregados do poder andam desvairados com o rabo de palha da nova (ou breve) ministra das trocas- -baldrocas.
 Andamos nisto!!!
"União Nacional"," Moção de Confiança"...
O "compromisso" de Cavaco Silva era mais ou menos isso, mas agora Passos Coelho deixou-se de eufemismos e chamou a coisa pelo nome: O que se pretende, é mesmo uma União Nacional, à moda do Botas de Santa Comba.
O desejo de regressarem às suas origens toda-lhes o juízo, mas enganaram-se no século... como Passos Coelho, no intervalo das suas cabotinices, ainda não chegou à última parte da biografia de Salazar que anda a ler, ignora que foi no consulado de Marcelo Caetano que a "União Nacional", evoluindo na continuidade, se transfigurou em "Acção Nacional Popular", daí a triste figura.

Começar a recolher, todas as manhãs, as primeiras gotas de orvalho...Calem-se, calem-se, é o que me apetece dizer.

Calem-se. Calem-se. Não posso mesmo ouvir mais. Os heróis, na vida como na guerra, estão dos dois lados do campo de bata­lha. Há heróis mor­tos e heróis vivos. Nem por­que mor­re­ram nem por­que sobre­vi­ve­ram. Mas pela dig­ni­dade com que vivem e com que morreram.
A loucura bate-me à porta sem aviso prévio. Entra, senta-se na cadeira à minha frente, nada de licenças, tudo muito certo, encaro-a como quem encara uma visão mais lúcida do que o céu azul que nos cobre a existência. Olha-me com olhos de gente e escuta-me com gigantes ouvidos antropomórficos. Pede-me que a ajude a compreender-se, vejam só, ele há com cada uma. São pedidos estranhos, mais insanos do que a própria loucura. Disponibilizo o que sei, francamente pouco, eternamente pouco, e tento dizer-lhe de que cor é o fato que retalha em lugar nenhum que exista do lado de fora de si. Bem vistas as coisas brandos esquizofrénicos somos todos, numa realidade paralela e reduzida à capacidade ideada e supostamente salutar. Ora, lembrem-se do castelo, aposto que todos moraram no castelo. Agora imaginemo-nos presos e estaremos quase lá (?).  Calem-se, calem-se, é o que me apetece dizer...

sábado, 27 de julho de 2013

Dizem que a beleza supera as raivas, mas nem a beleza domina as fúrias."O povo não sabe onde é a Islândia"...


"Ao desprezar o factor BPN quando faz as suas escolhas, o que acontece pela segunda vez, o primeiro-ministro despreza também os contribuintes espoliados por essa fraude gigantesca até agora impune."
(Fernando Madrinha, Expresso, 27 de Julho de 2013)
É assim que as "famílias" funcionam, encontram-se nas mesmas lojas e entreajudam-se na vida mostrando que solidariedade e amizade não são palavras vãs.
Um exemplo mais, são muitos, de como anda a pantanosa pátria, nossa amada.
Pois é assim que este contribuinte se sente: espoliado. Cada vez mais convencido de que é governado por um bando de cleptocratas, velhas famílias e oligarquias, que na falta das "especiarias da Índia, do ouro do Brasil, da riqueza das colónias, ou da generosidade europeia" (como refere outro cronista do mesmo jornal) vira-se para o último recurso que lhes resta: os parcos rendimentos da maioria dos contribuintes, seus conterrâneos.
Cada vez mais me convenço que só uma revolução à islandesa pode acabar com esta impunidade. Mas o povo não sabe onde é a Islândia...

Um governo persistente e coerente....Privatizam tudo excepto a dívida Pública!!!...


A poluição política e social começa a ser insuportável. A moral, a ética, a honorabilidade, o sentido de dever, a verdade, a generosidade, a solidariedade - tudo valores que a baixa política, de tão baixa que é, vai corroendo. Sobra uma lassidão, uma vontade de desistir, uma sensação de descrença, de desesperança, de inutilidade.
Sinto isso à minha volta, nos que me rodeiam, no medo que vai tomando conta das pessoas, na angústia que se apodera de nós quando o desemprego começa a bater à porta dos que nos são muito próximos. Muita desgraça por  incompetência e - começo finalmente a acreditar - por má fé. 
Quem nos (des)governa ,são de uma persistência e coerência, não há dúvida!!!
Querem a saúde privada,
A justiça privada,
A banca privada,
Transportes privados,
E até anunciaram que vão privatizar os Correios...
A excepção é mesmo a da dívida, que tem que ser Pública!!!
 Não vejo como haveremos de travar a insanidade reinante, a gestão danosa, os crimes de lesa pátria... Mas não me dá para o desânimo!!!

Sérgio Godinho - Espalhem a Notícia



sexta-feira, 26 de julho de 2013

Há dias em que me apetece escrever sobre a simplicidade da vida...Devemos a máxima a Saint-Exupéry: "O essencial é invisível para os olhos"...


Devemos a máxima a Saint-Exupéry: "O essencial é invisível para os olhos"... Acontece, porém, haver coisas «visíveis para os olhos» manifestamente essenciais. Pelo menos se desejamos manter-nos vivos.
A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma. O resfriado escorre quando o corpo não chora.... A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições. O estômago arde quando as raivas não conseguem sair. O corpo engorda quando a insatisfação aperta. A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam. O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar. A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável. As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas. O peito aperta quando o orgulho escraviza. A pressão sobe quando o medo aprisiona. As neuroses paralisam quando a "criança interna" tiraniza. Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra. E as dores caladas? Como falam em nosso corpo? A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direcção.
Existem curvas chamadas
Equívocos, existem semáforos chamados Amigos... e ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada Decisão, um potente motor chamado Auto-estima/Respeito, um bom seguro chamado Determinação, abundante combustível chamado Paciência. Mas principalmente um maravilhoso Condutor chamado Inteligência...


Os caminhos acima do chão....(já não construo realidades ficcionadas!!!....)

Os caminhos acima do chão  dão-me  uma visão privilegiada...ou não!!!...



Este é o país em que a contestação vai de férias, para regressar em Setembro, em força. Não é uma contestação genuína portanto.
Os decisores políticos há muito que se aperceberam disso , e vai daí, aproveitam a dormência e a lassidão dos governados para concretizar as medidas mais lesivas para estes e que seriam mais onerosas politicamente para quem as toma, caso fossem concretizadas noutro momento. Há que aproveitar, enquanto a turba está distraída ou vai a banhos, no rigor da canícula.
Já não construo realidades ficcionadas....
O otimismo, se não é um simples despropósito de gente cujo cérebro vulgar não encerra mais do que palavras, parece-me opinião não apenas absurda como também ímpia, porquanto constitui uma decisão amarga em face às inumeráveis dores da humanidade.

Foi uma boa entrada Marilu/uma questão de falta de formação...


A capacidade de se manter inalterável e aparentemente tranquila mesmo confrontada perante a evidência até assusta!!!
Parece que nasceu para mentir. Pessoas assim até metem medo.
Não é uma questão de [falta] de informação, é uma questão de [falta] formação.
Um ministro das Finanças que fale verdade é algo raro ou impossível. Ficámos a saber que Marilu sabia mesmo dos Swaps. O PS fez os swaps ( a sua maioria) , Marilu e Gaspar sabiam , e nada de mexer que é para os ganhadores do negócio ganharem mesmo lucros. Foi uma boa entrada Marilu!
Garantiu, na AR, que nunca tinha mentido sobre as swaps. Que azar, Maria Luís, a verdade ter ficado gravada em e-mails.
Aproveito para lembrar que, mais uma vez, foi a LUSA a divulgar tudo. Não era por acaso que o Relvas a
queria privatizar...
Estamos bem entregues. Com gente desta, que revela uma assustadora ausência de moral, de ética, de vergonha na cara, o que vai ser de nós?

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Podem suspender o tempo, mas o melhor seria suspender o carácter, ou a falta dele...SOBREVIVÊNCIA E DIGNIDADE!!!


Disfarçamos, olhamos para o lado, assobiamos para o ar. Nada se passa. E o tempo voa!!! Atracados a suspender, inertes nas acções, continua o lamaçal... O próprio Presidente da República decidiu convocar os partidos para suspenderem o tempo...
O que está em jogo é uma coisa muito simples, as eleições alemãs. Está toda a gente à espera de um milagre, que o tempo em Portugal se suspenda, o que significa que não se tomam decisões aborrecidas, enquanto, sorrateiro e desavisado, o tempo, na Alemanha, se precipita nos braços das eleições. Desse amplexo, esperam, suspensos, os portugueses que, rejubilante, a senhora Merkel fique com melhor feitio e se apiede de nós e abra uma fresta para renegociar a dívida e pôr em acção alguns mecanismos de coesão europeia, para evitar o colapso puro e simples dos países periféricos.
Não vejo outra alternativa à imensa desgraça que se avizinha. Anda toda a gente deserta para voltar à sua vidinha, aos negócios do costume. Por vidinha entendo não o Estado Social, mas as vaidades de primeiros-ministros e presidentes de câmara, as auto-estradas sem carros, os estádios de futebol vazios, o buraco sem fundo da Madeira, os negócios do BPN, a primazia dos bancos, as Parcerias Público-Privadas e os milhentos negócios que parasitaram o Estado e as autarquias, e mostraram a natureza das nossas elites política.                                                                                                                                                      Podem suspender o tempo, mas o melhor seria suspender o carácter, ou a falta dele.

Preocupante!!!...
A imprensa de hoje refere que pouco mais de 390 000 pessoas receberam prestações de desemprego em Junho o que corresponde a 41 % do total de desempregados segundo o último número do INE.
Até Junho de 2013, menos cerca de 69 000 pessoas recebiam o Rendimento Social de Inserção quando comparado com Junho de 2012. O número actual é de 271302 beneficiários.
Este cenário impressionante, que pode agravar-se com a anunciada reforma do Estado, isto é, cortes nas suas funções sociais, coloca uma terrível e angustiante questão. Os milhares, muitos, de pessoas envolvidas vão (sobre)viver de quê?

Ainda "os Maias"....noções de democracia!!!...A terceira miséria é hoje....

Um Presidente, um Governo, uma maioria e, na falta de um povo, o princípio da ditadura: "nenhuma democracia sobrevive quando tudo é permanentemente contestado".

"O conde sorria com bonomia e superioridade a estes exageros de fantasista. E Carlos, ansioso por ser amável, atalhou, acendendo o charuto no dele:
- Que pasta preferiria você, Gouvarinho, se os seus amigos subissem? A dos Estrangeiros, está claro...
O conde fez um largo gesto de abnegação. Era pouco natural que os seus amigos necessitassem da sua experiência política. Ele tornara-se sobretudo um homem de estudo e de teoria. Além disso não sabia bem se as ocupações da sua casa, a sua saúde, os seus hábitos lhe permitiriam tomar o fardo do governo. Em todo o caso, decerto, a pasta dos Estrangeiros não o tentava...
- Essa, nunca! prosseguiu ele, muito compenetrado. Para se poder falar de alto na Europa, como ministro dos Estrangeiros, é necessário ter por traz um exercito de duzentos mil homens e uma esquadra com torpedos. Nós, infelizmente, somos fracos... E eu, para papéis subalternos, para que venha um Bismarck, um Gladstone, dizer-me «há de ser assim», não estou!... Pois não acha, Steinbroken?
O ministro tossiu, balbuciou:
- Certainement... C'est très grave... C'est excessivement grave..."
(Eça de Queirós, Os Maias)


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Rui Machete não viu a podridão do BPN.... como pode vislumbrar os reflexos?


Uma frase lapidar de Rui Machete, "A podridão dos políticos"...
E que o caracteriza muito.
Advogado de formação e esbanjador por deformação.
Ele é sem dúvida nenhuma um símbolo daquilo que o regime tem de podre. É uma cara demasiado ligada a nepotismo, esbanjamento e abusos para ser sequer considerado para Ministro.
Já é a segunda vez que Passos Coelho recorre a figuras com ligações ao BPN para cargos governamentais.
A última flor colhida naquele "alfobre" foi Rui Machete, que reage às críticas pela omissão da sua passagem por aquele grupo no currículo, dizendo tratar-se de um "reflexo da podridão dos hábitos políticos".
Se ele não viu a podridão no BPN, como pode vislumbrar os reflexos?

Vagamente relacionado: " É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados." - Miguel Torga(1907-1995)
O mundo está prestes a rebentar, só pode!....

A tralha cavaquista...Esta vilanagem que nos mata já há muito perdeu a vergonha e nem se dá ao trabalho de disfarçar.


O CDS inventou Jacintos, Leites, Capelos, Regos, para disfarçar a origem do financiamento do partido. O PSD especializou-se em martelar currículos. Quando chegam ao governo, o que não "interessa" apaga-se.
Agora foi a vez de Rui Machete, o homem que os americanos já conhecem da Fundação Luso-Americana por indecente e má figura, passar pela lavandaria. Bastou ser nomeado ministro dos negócios estrangeiros para a nódoa da sua passagem pelo BPN/SLN desaparecer sem deixar rasto.
Não é todos os dias que o dono de um Partido tão minorca chega a tão importante cargo. A minoria agradece, a Nação aguenta, aguenta…
Ainda assim, não desisto, que o POVO um dia vai ganhar vergonha na cara e fazer por arrancar as vergonhas a estes biltres. Refiro-me às vergonhas de que falava Pero Vaz de Caminha, aquando do achamento do Brasil. "Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas.".

O desemprego é um grito que transportamos....As palavras de Bertold Brecht.

Esse Desemprego

Meus senhores, é mesmo um problema
Esse desemprego!
Com satisfação acolhemos
Toda oportunidade
De discutir a questão.
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo
Um enfraquecimento.
Para nós é inexplicável
Tanto desemprego.
Algo realmente lamentável
Que só traz desassossego.
Mas não se deve na verdade
Dizer que é inexplicável
Pois pode ser fatal
Dificilmente nos pode trazer
A confiança das massas
Para nós imprescindível.
É preciso que nos deixem valer
Pois seria mais que temível
Permitir ao caos vencer
Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber
Com esse desemprego!
Ou qual a sua opinião?
Só nos pode convir
Esta opinião: o problema
Assim como veio, deve sumir.
Mas a questão é: nosso desemprego
Não será solucionado
Enquanto os senhores não
Ficarem desempregados!
(Bertold Brecht)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Narrativa de uma remodelação de que Portas foi o guionista...


Escreveu-se  o capítulo final, por agora bem entendido, estamos em Portugal, da crónica da remodelação anunciada. A irrevogável decisão de Paulo Portas foi compensada, tudo tem um preço, sobe a Vice-Primeiro-ministro, ganha o Ministério do Álvaro que passa para as mãos do António e o Pedro ganha novas competências embora parte das competências da Assunção deslizem para as mãos do Jorge.
Em linhas gerais é isto...Um Governo... CDS?...
... com excepção do repetente Primeiro-Ministro, do novo Ministro dos Negócios Estrangeiros e do recém-criado Ministro do Ordenamento do Território... todos os Ministérios são liderados pelo até há pouco considerado "partido minoritário da coligação governamental"... estarei a ver mal? - pergunto porque ainda não ouvi nenhum comentador afirmar tal dedução!... evidências?!?!?!
Continuarão, muito provavelmente, as políticas tóxicas, ou seja, retomando um velho enunciado político, trata-se da evolução na continuidade...
Obs: Na década de 2000, antes dos dois bancos serem intervencionados e alvo de investigações policiais, Rui Machete ocupou funções ao mais alto nível no BPN e no BPP.( Jornal Público)

Coisas da "imagem"...O poder só sobe à cabeça, quando encontra o local vazio!...


O poder só sobe à cabeça, quando encontra o local vazio!...
Estamos no século da imagem e uma imagem vale por mil palavras, mas as imagens também iludem, na medida em que, como escreveu Magritte ante a imagem de um cachimbo que ele mesmo pintou: “Ceci n'est pas une pipe”. Pois não, a imagem de um cachimbo não é um cachimbo, ou por outras palavras, as imagens podem ser uma representação da realidade, mas não são a própria realidade)... A preocupação deveria incidir no “ser” e não no “parecer”, na realidade e não nas aparências.
Claro que quem a tem e preza, cuida da imagem, não mistura alhos com bugalhos, maçãs com pêras, Byron e brincadeiras.
Mas a posse e mantença da imagem, é coisa para poucos. Trabalhosa, pede cuidado permanente, referências a poetas antigos, seriedade no rosto, mostragem de saber, fundura do pensamento, o modo vago e o olhar distraído de quem, estando ainda neste mundo, se sabe acima dele.
Mal vai ao que, desdenhando do esforço e desinteressado da aparência, se esquece de arranjar pose: olham-no de viés e caem-lhe em cima, pois se não mostra é porque não tem.
«O rasto é tudo, o resto é nada.»

…"E vem à memória uma frase batida… hoje é o primeiro dia do resto da tua vida "…


Passadas 24 horas sobre o primeiro dia do resto da nossa crise, (parafraseando Sérgio Godinho na célebre canção ("Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida") o governo remodelado com Portas ao leme prepara-se para tomar posse e finalmente dar ordens ao País para que cresça e ao Estado para que se reforme.
Não se percebe muito bem como é que Portas e Passos se vão entender entre si para realizarem o programa de governo que o Presidente lhes impôs, já que Passos e Maria Luís continuam presos à herança da austeridade extrema de Gaspar e da troika e Portas quer o contrário disso. (quer????)...
E com o regresso dos briefings de Pedro Lomba vai haver fartura de notícias. Haverá oson e os off que Poiares Maduro combinar com Passos e os on e os off de Portas e dos seus asssessores. Será um fartar vilanagem de notícias.
…"E vem-nos à memória uma frase batida…
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida ".

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O chefe e protector da quadrilha de malfeitores .Eles continuam por aí à solta...

Cavaco, se já andava com os pés inchados, ficou pior. Vai ter dificuldade em descalçar as botas, e para já, não se livra de ser acusado de ser o chefe e protector da quadrilha de malfeitores que continua por aí à solta. E não há pedregulho ou cagarra que o salvem.
O Presidente deu aos "meninos" a possibilidade de brincarem mais dois anos mas foi avisando que não perdeu a sua autoridade sobre eles. Marcou-lhes data para a salvação do protectorado e disse que se não se portarem bem aplica-lhes novo castigo.
Mas eles não sabem que a benção que agora receberam do Presidente é um presente envenenado: o Paulo vai ter de mostrar que é capaz de salvar o protectorado e, ou vence ou morre. E o Pedro vai ter de vigiar o Paulo para que ele não volte a dizer que se vai embora a meio do jogo.
Quanto à Maria Luís vai ter recreio à parte, vigiada para não se enganar nas contas a fazer...

Lamentável será deixarmos atingir o Paraíso que nos querem fazer acreditar.
Estamos ainda a meio do caminho e:
- Somos o segundo país da OCDE onde o poder de compra mais diminuiu;
- Somos o terceiro país da UE com mais alta taxa de desemprego;
- Somos um dos países do mundo onde mais diminuiu a empregabilidade;
- Somos o sétimo pais da OCDE onde é mais fácil despedir.
Se o (des)governo  conseguiu tudo isto em apenas dois anos, é bem provável que até 2015 ainda consiga colocar Portugal entre os três países europeus com maior taxa de mortalidade infantil; onde as reformas são mais tardias; onde se recebem as reformas mais baixas; o país da OCDE onde há maior desigualdade social.
A cereja em cima do bolo será termos os administradores bancários mais bem pagos da Europa e o país onde uma maior percentagem dos impostos dos cidadãos é canalizada para os bancos.
Continuemos pois a suportar este calvário, porque estamos no bom caminho para atingir a salvação eterna!


domingo, 21 de julho de 2013

Eu submeto-me...Desde que não venham impedir-me de chamar a todos um bando de filhos da "...", de que os portugueses fariam bem em proteger-se.


O Presidente da República olhou para o espelho enquanto escrevia o discurso e acrescentou:
Existe em Portugal um ciclo vicioso.
Nunca tenho dúvidas e raramente me engano.
O resto da alocução, sem novidade, já conhecem. Um desperdício de tempo caríssimo.


Eu submeto-me ao vexame e à vergonha de ouvir o Cavaco, o Rangel, o Catroga, o Passos, a Marilú, até o Gaspar e o mesmo Relvas, o Portas, o Melo, os banqueiros, as sanguessugas, os parasitas, a horda de jornalistas e comentadores avençados que põem  a mãe em praça, eu submeto-me à tristeza de ouvir o próprio Seguro e os aventureiros profissionais, eu submeto-me. Desde que não venham impedir-me de chamar a todos um bando de filhos da puta, de que os portugueses fariam bem em proteger-se...

Gostava tanto de ter, hoje, um Presidente da República!!! A Constituição não prevê a existência de um?...

Não raro
poesia é arte
de revirar o
sonho da noite
anterior
e
desdenhar o
barulho da
manhã seguinte...

Gostava tanto de ter, hoje, um Presidente da República. Essa é que é essa! Dava um jeitaço... É que estou mesmo desesperada por um, sabem?, ao ponto de terminar com este parágrafo estilo regresso-ao-futuro. A Constituição não prevê a existência de um?
Entretanto, no chamado mundo real, as pessoas assistem sem surpresa a estes jogos agitados e continuam a luta diária pela sobrevivência envolvidos na desesperança.


sábado, 20 de julho de 2013

Zeca Afonso - Os Vampiros "Eles Comem Tudo" ...Cantemos em coro, mesmo que tenhamos um nó na garganta!!!



Ó senhor Presidente:
Vai dar posse a um governo de almas penadas ??? É isso que nos vai dizer daqui a umas horas, não é?
Desta vez sou eu a avisá-lo. Vai tentar corrigir um erro com outro erro maior e isso não vai dar bom resultado. Daqui a um ano, vai ter um problema muito mais grave entre mãos que não terá capacidade para resolver pela via democrática.
Pense nisso, está bem? E não esqueça que, se a sua jogada visava recuperar o seu prestígio, perdeu em toda a linha. Os portugueses não lhe vão perdoar este erro e o senhor seria bem avisado se percebesse e renunciasse, por ter sido incapaz.

Cavaco Silva vai ter que voltar às Selvagens, para se aconselhar com os pedregulhos e as cagarras, já que nem ele, nem os seus assessores e conselheiros, conseguem dar conta do recado.

Finou-se a "salvação nacional"....
A pobre durou pouco mais de uma semana. Mas não foi uma morte qualquer. Foi uma morte comunicada à sexta-feira, já após o fecho dos mercados, não fossem eles assustar-se. Anda muita coisa a acontecer às sextas-feiras à tarde… A bola está agora com o Presidente da República. 

Havia várias soluções para a crise política. Cavaco Silva começou por rejeitar dar posse ao Governo "recauchutado" depois da saída de Vítor Gaspar e das piruetas de Paulo Portas, por ser uma solução frágil e pouco abrangente. Excluiu a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições antecipadas neste Setembro de 2013, porque tal solução iria provocar (diz ele) descontinuidade governativa e fragilizar o país perante os credores e os mercados. Por quebra do PS, acabou por falhar a sua solução de acordo tripartido de salvação nacional (PSD, CDS-PP e PS), com eleições antecipadas marcadas para Junho de 2014. Fica em aberto a solução de um governo de iniciativa presidencial que ele sempre disse não querer adoptar. Este é o resultado que dá ter andado a manter prolongados silêncios e cultivando um conceito minimalista dos seus poderes, quando tudo pedia que interviesse.
Entretanto, o que fica de pé? Quase nada, porque se Cavaco voltar atrás, acabando por dar posse a um desacreditado Governo "recauchutado", com isso acaba por reconhecer que cometeu um estrondoso erro de avaliação, caindo na armadilha que ele próprio engendrou, desacreditando-se perante a opinião pública, e começando a desenhar-se a hipótese da sua própria renúncia.

 Aguardemos.

"É tarde, muito tarde na noite". Ou talvez não, Jorge de Sena também escreveu doutros estados de espírito. E da vida do Homem e dos que não o são.


"Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
Que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
Para passar por meu. E para os outros ladrões,
Iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo."


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Estava escrito nas estrelas...E agora Sr. Presidente???.....

E não há acordo! Nem com a intervenção da Santa Madre Igreja. Para dizer a verdade, achei o secretário-geral do PS mais "homenzinho", digamos. Até nem se saiu nada mal daquele assédio ridículo que tudo quanto é voz mediática lançou sobre o Partido Socialista. Voltámos ao ponto de partida. Então e agora, sr. Presidente?
Nos últimos dias, aquele rapazelho..., digamos, de nariz incontinente, que ainda nos desgoverna, parece ter entrado em negação absoluta. Ainda ontem re-afirmou a sua intenção de fazer da víbora Portas o seu vice. O Pedro é ridículo e mais ridículos ainda aqueles que fingem levá-lo a sério.
E agora..., o sr. Presidente excluiu ontem a hipótese de um governo de iniciativa presidencial. Em face disto tem exactamente duas hipóteses: convocar eleições ou dar posse ao vice do Pedro, fazendo uma monumental figura de asno.


Emergência nacional....rostos para um governo...

Falhou o acordo!!!

Que fauna é preciso preservar?


Conhecido por nunca dizer olhos nos olhos, textualmente, aquilo que pensa, por falar nas entrelinhas e em hieróglifos, ou por mandar recados por terceiros, arqueólogos encartados, com acesso exclusivo ao código "Pedra de Roseta", em cavaquês isto quer dizer, concretamente, o quê? Dos que partem, dos que ficam; dos que vivem, dos que sobrevivem? Que riqueza – a "Das Nações", a dos milhões? Que fauna é preciso preservar?
Entendam-se.... Cavaco- UGT- Patrões...(uma bela conjugação).
A democracia não é bem isso.
Em democracia, as políticas decidem-se nas urnas. Não em reuniões mais ou menos secretas para fazer a vontade a presidentes, por mais respeitáveis que sejam.
Se o presidente não gosta do governo que lhe foi proposto, nem confia nos partidos que estão por trás, não invente. O manual, vulgo Constituição, traz a solução.
 Gosto pouco de entrar em suicídios...esperar para ver...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

“Sempre acreditei no que faço e por isso faço-o com todo o empenho”. (Nelson Mandela).


Hoje, 18 de Julho, celebra-se o Dia de Mandela... Para o efeito, porque Madiba completa hoje 95 anos, nada melhor do que evocar as suas palavras: "A Arma Mais Poderosa que podemos utilizar para Mudar o Mundo é a Educação!" (Nelson Mandela).
Fui, sou e serei sempre um lutador pela igualdades entre os homens. Muito me entristeço quando reparo que ainda hoje se assiste, muitas vezes, comodamente a flagrantes desrespeitos pela dignidade humana, em troco do autoritarismo e da prepotência de alguns.
Acredito no que faço e, por isso, faço-o com todo o empenho. O meu sonho foi sempre unir, apaziguar e desenvolver, seja qual for a raça, o idioma, a cor ou o país.
Paz, muita paz ! Respeito pela vida humana. Riqueza e prosperidade para todos os países do Mundo sem excepção. Cada homem é um homem com direito à Liberdade, mas com responsabilidade. Sejamos capazes de honrar o nosso dever.

A história ensina, as soluções fundadas em cobardia acabam sempre em rendição e servilismo.Salvar Portugal???...


As conversações entre o PS, PSD e CDS são o mais recente exemplo do cinismo e da hipocrisia que afectam o ambiente político em Portugal.
O ambiente político não abrange apenas os partidos. Embora tenham muitas culpas no cartório por substituírem os valores programáticos pelo carreirismo oportunista, em Portugal, o ambiente político é sobretudo determinado por uma comunicação social subjugada a interesses económicos pouco transparentes, que intoxica e estupidifica o ambiente social e político, impedindo o aparecimento de uma opinião pública que se afirme pela lucidez, e condicione a actuação dos agentes políticos.
Nenhum dos partidos envolvidos nas "conversações cavaquistas" sinceramente as desejou e só lá estão porque a cobardia os impede de as abandonar.
Fariam melhor se partissem a loiça, porque, como a história ensina, as soluções fundadas em cobardia acabam sempre em rendição e servilismo.
Cavaco Silva, o actual inquilino de Belém, tem especiais responsabilidades não assumidas, já que governou entre 1985 e 1995 com o seu pouco escrupuloso "deixem-me trabalhar", andou rodeado de gente pouco recomendável, colheu favores e benefícios com as negociatas e traficâncias do BPN, para agora estar a coordenar e a cronometrar os trabalhos da suposta "salvação nacional". No meio disto tudo, ainda há quem diga que é o regime que caducou, e que precisa de ser substituído, quando o que precisa de ser mudado são os protagonistas e as suas políticas.


Vivam os grandes negociadores que vão salvar Portugal! Vivam!!!!

Já que o Cavaco resolveu estragar o verão às cagarras e aos portugueses em geral, venho também fazer alguns apelos à união nacional, à salvação das almas e aos acordos selados e que todos dêem as mãos.
Parece que  há um manifesto assinado por individualidades a pedir que os partidos cheguem a acordo.
Está certo que pedir não custa. Pelo que vejo, de repente, toda a gente esqueceu as trapalhadas que aquela seita para aí andou a fazer e, como se não os conhecesse de lado nenhum, acreditando na regeneração a la minute das almas, se focou nisto: queremos acordo! queremos acordo!
E, portanto, como agora o que parece ser politicamente correcto é ser acriticamente ferveroso do dito acordo, junto-me à festa e formulo também os meus votos: que, de repente, todos os burros se ponham inteligentes, que todos os palermas fiquem idóneos, todos os frouxos virem líderes, que todos os vendidos se tornem impolutos.
Não era tão bom? Gostava mesmo que isso acontecesse. Vamos lá todos torcer...
E, quiçá, até, assinar um manifesto.
 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Nave dos Loucos continua à deriva!


O senhor representante da orquestra de miséria que é este país, Cavaco Silva, vai passear até aos Açores. Está tão preocupado com a treta da "Salvação Nacional" que mesmo assim passeia até aos Açores... Tanta preocupação, tadinho. Este povo tem mesmo a corja política que merece ... Passeia, querido, passeia, que quando chegares já há acordo!
Para o coadjuvarem na sua missão e garantirem a biodiversidade daquela reserva natural, podia levar com ele o Coelho, o Portas, o Oliveira e Costa, o Alberto João Jardim que até mora ali perto, o Duarte Lima, o Oliveira e Costa e o Isaltino Morais, todos algemados entre si, e à cautela com pulseira electrónica, o Dias e o Valentim Loureiro, o João Rendeiro, o Vitor Gaspar e mais uns quantos, e ficarem todos por lá a conviverem e a bronzearem-se.
No terreno ficam a discutir o que nunca foi sufragado e que se pretende que seja discutido e aprovado sem sufrágio, Ministros sem relevância nos Partidos mas que os representam por designação, representantes encartados do maior Partido da oposição (que exige a demissão do Governo) e uma personalidade de reconhecido prestígio que promova e facilite o diálogo,em tempos Ministro da Educação de um Governo de Durão Barroso e noutros tempos vereador de Isaltino em Oeiras.
É um circo sem rei nem rock e a questão é que já nem o circo tem panos porque alguns dos seus artistas encarregaram-se de botar fogo à tenda enquanto faziam malabarismos e contorcionismos com tochas de fogo.




Quim Barreiros dirige JN por um dia...Não lhes perdoes Germano!!!

Ainda não percebi se o JN quer ser uma fiel alternativa ao Correio da Manhã ou se já se contenta em ser uma mera alternadeira. (Entretanto, que me desculpem os jornalistas que, diariamente, tentam dignificar e honrar esta «casa» centenária. E são muitos! E tu, Germano, notícia de primeira página pela Gazeta de Mérito, não lhes perdoes, que eles bem «sabem» o que fazem).

Perenes as sirenes / música de Bernardo Sasseti - Passagens pela cidade.


Perenes as sirenes
Que ousam soar.

Nas fábricas abandonadas
Em ruinosas debandadas,
Permanecem deslocadas,
As sirenes olvidadas.

Honrados desempregados
Aguardam humilhados.
Homens descartados,
Sós, desvalorizados.
Vendidos e comprados,
Em todos os mercados.


terça-feira, 16 de julho de 2013

"É na esquerda que está toda a responsabilidade de encontrar uma solução para libertar Portugal da troika e da crise". O País às voltas com a Salvação Nacional...


Com um misto de letargia e azedume, o país assiste a um jogo de sombras entre a coligação que sustenta o governo e o Partido Socialista.
Os representantes dos partidos do arco da governação, justamente, a governação que, conjuntamente com o contexto mundial, que nos conduziu à situação que vivemos, continuam a tratar da nossa salvação por imposição de uma peregrina decisão do Presidente da República. Os trabalhos decorrem acompanhados por um observador da Presidência certamente com a função de tomar conta da rapaziada que trata da salvação. É gente com comportamentos imprevisíveis e que, portanto, solicita supervisão.
Na verdade, creio que eles estarão, como será previsível a tratar da sua salvação, acautelando os seus interesses e a forma de que a partidocracia funcione como tem funcionado.
Por falar em interesses, os banqueiros portugueses continuam a ser dos mais bem remunerados da Europa, certamente para compensar os salários baixíssimos da esmagadora maioria da população que ainda consegue manter o trabalho. Claro que a banca é apoiada justamente com o dinheiro dos contribuintes de acordo com o velho aforismo, "temos que ser uns para os outros".

É lamentável que PCP e BE sejam vistos apenas como partidos de protesto. Em primeiro lugar, ambos têm um ethos muito diferente dos partidos de governo, um ethos marcado pelo respeito pelo bem público, marcado por colocar o bem da comunidade acima do interesse dos agentes políticos. Em segundo lugar, ambos defendem um conjunto de valores políticos, nomeadamente ao nível das funções sociais do Estado, que mereceriam ser defendidos não apenas pelo protesto mas pelo compromisso político.
Se ambos os partidos se dispusessem a um compromisso histórico com os socialistas, um compromisso que se situasse dentro da realidade (e a realidade é que estamos sob assistência financeira) em que vivemos e que visasse a defesa do essencial, talvez os portugueses olhassem para eles com mais atenção e percebessem que alguma coisa de novo poderia vir da esquerda. Não vale a pena esperar o chamamento da revolução social, os portugueses são surdos para ele. Mas certamente teriam ouvidos muito atentos para uma ética do respeito pelo bem comum e para o compromisso que os ajudasse a sair do lodaçal onde o arco da governação os meteu.


A poesia está na luta dos homens, está nos olhos abertos para amanhã - Do País entre o fundo e salvação...


Estamos sós entre duas negações como ossos abandonados a cães que nunca chegarão.

(...) O INE divulgou dados que confirmam a elevada exposição ao risco de pobreza das pessoas que se encontram desempregadas. Mas diz-nos mais: as famílias com crianças dependentes estão entre os grupos que mais viram a taxa de risco de pobreza aumentar em 2011. E que taxas de risco de pobreza mais elevada incidiam sobre os agregados constituídos por dois adultos com três ou mais crianças dependentes (41,2%). O país que volta a ter vagas expressivas de emigração.
O país que tanto penaliza as famílias que têm crianças, mesmo tendo uma das mais baixas taxas de natalidade.
O país que bate no fundo, ao mesmo tempo que a classe política se entretém com jogos de poder, negociações "estratégicas" (para quem?), birras revogáveis e agendas individuais. E alguém falou em "salvação nacional"... ?! A ironia tem limites..."


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Notícias Do Bloqueio - Egito Gonçalves (um poeta esquecido)...

Notícias Do Bloqueio 

Aproveito a tua neutralidade, 
o teu rosto oval, a tua beleza clara, 
para enviar notícias do bloqueio 
aos que no continente esperam ansiosos. 

Tu lhes dirás do coração o que sofremos
nos dias que embranquecem os cabelos...
tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos – contrabando – aos teus cabelos.

Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa à nossa volta
- único acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.

Tua neutralidade passará
por sobre a barreira alfandegária
e a tua mala levará fotografias,
um mapa, duas cartas, uma lágrima...

Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos de silêncio duro e violento.

Vai pois e noticia com um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.

Vai pois e conta nos jornais diários
ou escreve com ácido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos já esperados.

Mas diz-lhes que se mantém indevassável
o segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro.

Diz-lhes que se resiste na cidade
desfigurada por feridas de granadas
e enquanto a água e os víveres escasseiam
aumenta a raiva e a esperança reproduz-se.

(Egito Gonçalves )




Porque acabou o tempo da Revolução dos grandes Poetas. Recordar José Gomes Ferreira- Fraternidade.

Acabou o tempo da Revolução dos Poetas.
Não me digam que vamos construir uma
República de Medíocres — sem o tamanho
grandioso que deveria ter.


A pobreza e a exclusão deveriam envergonhar-nos a todos, a começar por quem lidera, representam o maior falhanço das sociedades actuais. 
Temos um país pejado de sacanas que nos vão retirando a alegria de viver...

"Fraternidade
de débeis sentimentos inexactos,
cada qual com a sua verdade,
que só a imaginamos
para destruir
o sonho injusto dos factos.


Mas não me digam que vai continuar a desistência,
este eterno sempre da repetição da mesma coisa,
este terror medíocre de sentirmos debaixo dos pés
a impossível Ponte
que nunca poisa
nem poisará
em nenhum horizonte".
(José Gomes Ferreira)


Como era previsível, os efeitos do ruinoso negócio de venda do BPN ao BIC ainda não cessaram. "Porque há o direito ao grito. Então eu grito".


"Porque há o direito ao grito.
Então eu grito".



 O BIC Portugal reclama do Estado reembolsos no valor de cerca de 100 milhões de euros, relativos ao BPN, e que estão alegadamente relacionados com as contingências decorrentes do acordo de privatização celebrado em Março de 2012. As "facturas" foram enviadas à Direcção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF), no último ano, no quadro do contrato de execução da venda do BPN que foi assinado entre o grupo luso-angolano e a actual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que interveio na qualidade de secretária de Estado de Vítor Gaspar. Era um negócio excelente, ficará ainda melhor. As privatizações seguem dentro de momentos. Quem sabe se o mesmo grupo nos faz o favor de nos ficar também com a Caixa Geral de Depósitos?

Às vezes penso nas palavras e nas caras, têm socialmente muito a ver umas com as outras.