segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A essência é intocável..."as palavras que nos beijam , outras, nem sempre!".

"Cada homem deve inventar o seu caminho.
(Jean-Paul Sartre)

Detesto pessoas que não procuram palavras e atiram com as primeiras que vêm à boca, que podem soar bem ou menos bem, podem vir a direito ou podem vir de soslaio, podem atingir-me em cheio ou procurar o caminho para que me cheguem sensatas, se tiverem vontade própria. Não têm, disparate, nunca têm, as palavras não vivem por si, soltas no mundo a procurar combinação e cuidado, as palavras são uma arma certeira que utilizamos em comunicação, que transportam cargas efetivas de sentires manifestos, que nos vivem do corpo para dentro e dele para fora, mas nunca sem imposição. Há as que muito nos dão e as que pouco nos trazem, as que amamos e as que odiamos, as que tememos e as que ansiamos, muitas delas atribuídas a circunstâncias específicas, e por isso merecedoras de um lugar de destaque.
Há dias prósperos a pensamentos, que o vazio das palavras é uma realidade tão palpável como o sumo das mesmas, que a utilização que lhe é dada é de uma importância fulcral, e ainda que o vento que as leva nos ditos populares pode ser o vento quente do estio, persistente, incómodo, sobranceiro. Eventualmente, e por vezes, vento nenhum.   
Mas vale-nos ainda haver quem as use de forma amena.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Mais uns chumbinhos do Tribunal Constitucional... eles continuam na deles, a assobiar para o lado, a fazer de conta que não é nada com eles.

 Este Governo é um fora de lei, pensa que isto é um Far West sem xerife. Só que, de vez quando, é confrontado com a dura realidade. Ultimamente, aliás, tem sido uma coisa demais.
Nem vou pronunciar-me sobre isso. Não vale a pena. Qualquer governo formado por gente decente já se tinha demitido há muito tempo. Estes levam na tromba e nem se enxergam , não têm vergonha nenhuma, apanham e voltam a apanhar e voltam a reincidir. Uns delinquentes.
Armam confusão por onde passam, um diz uma coisa, o outro diz o contrário, um que a economia está a crescer e que já vai escada acima, o outro a dizer que tão mal isto está que tem que vir mais um resgate.  As agências de rating já estão a ver o que qualquer pessoa que faça contas percebe facilmente: com esta economia e com este governo a governar com as patas, a fazer tudo ao contrário, vamos pagar a dívida mas é nunca.
Mas eles continuam na deles, a assobiar para o lado, a fazer de conta que não é nada com eles.

Agora apareceu  o Paulo Portas, todo bronzeado como de costume - mas onde é que ele arranja aquele bronze, senhores....? - a dizer que apesar dos chumbinhos, o melhor da lei tinha passado e que isso era do mais importante que há para estimular a economia. Ó santa ignorância! São doidos...

Entrave e atraso de vida  - para além de termos um (des)Governo que não é amigo nem do crescimento, nem do emprego, nem dos portugueses - é, também, termos tanto autarca (e candidato a autarca) estúpido, a querer gastar dinheiro à tripa-forra em coisas que não interessam nem ao menino jesus.
As parvoíces que tenho ouvido , parece coisa do além. 






quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Olho-me para o espelho sem delongas..."O correr da vida embrulha tudo, sossega depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem".

A manhã despertou de uma noite escondida no fundo do armário das vontades, atada a fitinhas de seda que me emprestam doçura às mãos. Persigo as horas que fogem de um lado e tardam do outro, e de seguida espreito algures uma ardósia que pergunta que idade eu teria se não soubesse a que tinha. Depende, apeteceu-me responder. Tenho muitos anos logo de manhã cedo, quando acordo e quando afago, quando desperto para a vida e para a morte, quando tenho de cumprir o rigor dos dias que nascem quando eu queria que ainda estivessem apagados, nem que fosse só por mais uns minutinhos. Tenho poucos quando as vontades me dão cabo do coração descompassado, com idade suficiente para já ser crescida e ter juizinho. Tenho poucos, pouquíssimos, quando me encosto à ternura dos dez e me deixo estar ao lado dela, enquanto desfaço a boneca de trapos.  Tenho alguns quando imagino o sobrinho (neto) que me nasce não tardará muitas luas. O  Outono é sempre bom para vir ao mundo, dias pequenos e frescos, sem excessos de claridade. A propósito, gosto do Outono, muita da minha vida começou no Outono: tropeço numa linda rapariga de olhos doces... e num belo rapaz de olhos verdes, que me fazem lembrar as quantas primaveras tenho! Olho-me para o espelho sem delongas...

"O tempo resolve tudo", diz o povo. Tem as costas largas, o tempo. E é pouco observador, o povo...


"... sigam o exemplo do Pacheco Pereira, esse inocente útil que aderiu ao PCP(m-l) em 1972, apoiou Soares é fixe, saltou para o PSD, andou pela AR, foi para o PE, acabando a dizer mal de tudo e de todos, excepto dele próprio, em tudo o que é media e mais o que possam imaginar. Não admira que se mostre preocupado com as comemorações do centenário de Álvaro Cunhal, um homem que foi em coerência exactamente o oposto daquilo que Pacheco Pereira é e em hipocrisia exactamente o contrário daquilo que Pacheco Pereira nunca deixará de ser"


Palavras minhas:
"O tempo resolve tudo", diz o povo. Tem as costas largas, o tempo. E é pouco observador, o povo. O tempo é como um espanador. O pó, esse, levanta-se e volta a poisar. Nos mesmos sítios.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Não importa, desde que seja um efeito qualquer que faça rir quem chora, animar quem definha, adormecer quem esbraceja, ou calar quem grita.(psicotrópicos)...

Não nos espantemos, ora, não há tempo para humores ligeiros, para afagos apaziguadores, para ações tranquilizantes de corpo e de alma. É o "alimento" condensado, o menor esforço, o preço mais baixo e o resultado garantido.  Não nos espantemos, pois, e mais do que tudo não condenemos, anda tudo farto de indignações. Os números aos magotes nunca foram o meu forte. Setenta e cinco mil embalagens por dia é muita embalagem, convenhamos, e se o número não servir para nada além de constatações formidáveis, é por si só uma afronta ao País, aos técnicos, aos Portugueses e à sociedade no geral. E se assim for, perdoem-me a franqueza, mas mais vale deixarmos em sossego clandestino o silêncio da embalagem colorida, o ânimo fresquinho acabado de sair do invólucro fechado, a felicidade que se engole em forma de efeito concreto ou de efeito placebo, não importa, desde que seja um efeito qualquer que faça rir quem chora, animar quem definha, adormecer quem esbraceja, ou calar quem grita.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Morreu hoje António Ramos Rosa, um dos maiores poetas portugueses contemporâneos...

Ramos Rosa a   Egito Gonçalves...

Estamos nus e gramamos.

Na grama secular um passarinho verde
canta para um poema lírico, para um poeta lírico, 
que se nasceu
é certo que não cantou.

As paisagens continuam a existir.
As paisagens são suaves.
Continuam também a existir
outras coisas
que dão matéria para poemas.
A vida continua.
Felizmente que há ódios, comichões, vaidades.
A estupidez, esta crassa crença intratável, esta confiança
             indestrutível em si mesmo,
é o que felizmente dá uma densidade, uma plenitude a isto.

Num mundo descoroçoante de puras imagens
é bom este banho de resistências, pressões, vontades, atritos,
é bom navegar.
porque este presente é logo saudoso.

Na grama um passarinho canta.
Evidentemente que o poeta suicidou-se.

A vida continua.
Certas coisas que pareciam mortas
estão agora vivas ou, pelo menos, mexem-se.
Ausentes, dominam-nos.
Não é para nós que utilizam as palavras, 
que insistem,
não é para nós!
Estes grandes ornamentos, estes sábios discursos
fluem em visões, em ondas, como se não no presente.
Ter-se-á o presente extinguido?
A vida continua tão improvávelmente.

Na grama um passarinho canta.
Canta por cantar, ou não, canta.

Eu poderia, com rigor, agora
cantar:
                      Os anjos exactos
                      que empunham tesouras
                      de encontro aos factos
                      - ó minhas senhoras!

Ou rigorosamente ainda,
com veemente exactidão,
inutilizar o poema,
todos os poemas
porque

Estamos nus e gramamos.

                             

Não há vagas....A função da poesia em termos sociais. Porque é que os nossos jovens, quando acabam os cursos, pagos com o dinheiro dos nossos impostos e com o esforço dos pais e das famílias, se põem na alheta, dão de frosques, emigram???...

  A função da poesia em termos sociais ....    
    " O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira".
(FERREIRA GULLAR )                                                                                        
Ângelo Correia, que já não se baba todo nos ecrãs de televisão quando lhe dizem que tem ascendente sobre Pedro Passos Coelho, maravilhado que anda com a "lealdade" de Paulo Portas, faz muitas perguntas, muitas perguntas para as respostas que lhe convém que sejam respondidas, «com sentido nacional, solidário e racional», mas não tenham pressa em responder, porque «querer solucionar rapidamente alguns problemas pode ser um erro!», avisa.

Ângelo Correia, que sabe muito mas que, infelizmente, não anda a pé (e merecia), só não faz uma pergunta, curiosamente a pergunta que deve ser feita: porque é que os nossos jovens, como ele diz, as futuras elites, também dito por ele, quando acabam os cursos, pagos com o dinheiro dos nossos impostos e com o esforço dos pais e das famílias, se põem na alheta, dão de frosques, emigram, como já não se via desde os idos do velho de Santa Comba? 
Porque lhes apetece, porque lhes deu na real gana, porque sim...









sábado, 21 de setembro de 2013

As andorinhas também estão de partida...


Não, não vou falar do pio do mocho sobre o cipreste ou da luminosa e ancestral lua ofuscada por nuvens escuras que a afogam nas trevas.


As andorinhas também estão de partida...


Desde pequena me habituei a conviver com andorinhas. Faziam ninho e reproduziam-se no beiral lá de casa.
Todos os anos me encanto com a sua presença, até que partem e me deixam com a promessa de um regresso.


"O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá" foi um dos livros que me marcou . Escrito por Jorge Amado que o dedicou ao seu filho Jorge conta a história de um gato que se apaixona por uma andorinha causando estranheza em todos os outros animais que habitavam um parque. A Andorinha está prometida ao Rouxinol mas, ao mesmo tempo, incentiva o amor do Gato. Acontecem juras, o Gato escreve poemas, eles passeiam juntos enquanto as outras personagens condenam o amor impossível. O Verão passa rápido, mais rápido que os ponteiros do relógio, pelo menos para os personagens porque foram felizes.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Ao Mais Alto Economista Aposentado da Nação...e àquele "coiso" Marco António...

Esses poetas que tudo dizem
Nada conseguem dizer:
Estão fazendo apenas relatórios...

(Mario Quintana)

Tal como sucedeu com a Grécia, o FMI vem fazer o mea culpa relativamente às políticas de austeridade que a troika impôs a Portugal. Seguir-se-á a posição da Comissão Europeia e do BCE, que fazem de polícia mau, tal como sucedeu recentemente com as declarações do presidente do Eurogrupo de nome impronunciável, na âmbito da ronda levada a cabo por Portas com a Albuquerque à ilharga. Entretanto foram arruinadas famílias, o desespero tomou conta dos mais desprotegidos, o desemprego disparou, a esperança ceifada, os bancos enriqueceram, o estado de direito desrespeitado, os capatazes que ocupam o lugar de governantes ao serviço das tais políticas intencionalmente mortíferas, que agora se reconhece estarem erradas, continuam com a mesma cara de pau a pretender dar lições de moral aos portugueses e no fim ninguém vai preso.
Aquele "coiso" Marco António Costa, veio acusar o FMI de "hipocrisia institucional", porque por um lado o FMI emite relatórios de alerta para os perigos do excesso de austeridade, mas por outro defende a aplicação das medidas de austeridade... Mas Caro Marco António, quem é defendeu que se deveria ir para além da troika?
Pudera, aproximam-se as eleições e há que tirar o cavalinho da chuva. E qual o espanto? Não é sobejamente conhecida a falta de decoro destas figurinhas da politicazinha nacional?


(Olivier Blanchard é economista, francês. Professor reputado, agora de licença, é também Director do Departamento de Investigação do FMI ... um nome a fixar).

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Quem quer ter filhos a aprender inglês desde tenra idade escolha um colégio privado, porque pobre não precisa saber línguas.

Há dias em que apetece desistir completamente. É tão visceral em nós uma cultura de falta de exigência, de facilidade, de ausência de rigor, de reivindicação de patamares cada vez mais baixos, que qualquer esperança de um país decente se torna ridícula. Foi essa falta de exigência connosco que nos tornou complacentes com as elites políticas que fomos escolhendo e que nos conduziram ao sarilho onde estamos. Mas não aprendemos nada. 
 O país é uma nau sem rumo, e todas as manhãs acorda preparado para o pior.

Temos um PM que vendeu o corpo e a alma para chegar ao lugar que hoje ocupa, mentindo deliberadamente aos portugueses. O lugar que hoje ocupa não lhe advém do mérito. Foi um lugar que ele roubou ,mentindo aos portugueses, como qualquer vigarista que ganha a vida impingindo o conto do vigário a velhos analfabetos.

Há dias líamos que Exame de inglês de 9º ano será feito pela Universidade de Cambridge. Sem dúvida mais uma boa negociata que alguns privados, desta vezes ingleses, agradecerão.
Agora já se sabe, quem quer ter filhos a aprender inglês desde tenra idade escolha um colégio privado, porque pobre não precisa saber línguas.

A complacência com o folclore instalado na sociedade e nas instituições cresce. Não me admira que, chegadas as próximas eleições, as seitas que nos governam sejam reeleitas.

Não é uma grande tanga, mas tem dias. "Façam desaparecer Maduro , Rosalino que nada se perde", diz Marcelo. (e o nariz da Maria de Albuquerque) ...

Se o Portas , o Passos e o Cavaco  os acompanharem, até se ganha...
Que grande lata tem aquele senhor de fato preto que habita em Belém, pediu bom senso à Tróika!!!...
....enterrou o país e vendeu os portugueses ao FMI , para proteger os amigos do BPN, não tem qualquer moral para pedir bom senso aos nossos credores. O resto não passa de show off! 
E a Pinóquia?
"Actual ministra na comissão de inquérito: “Gostaria apenas de esclarecer que enquanto estive no IGCP não tive qualquer contacto com swaps”

A técnica do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) que deu o parecer positivo ao swap contratado pela Estradas de Portugal foi Maria Luís Albuquerque, actual ministra das Finanças, avançou ontem o ex-presidente da empresa, Almerindo Marques, na comissão parlamentar de inquérito aos instrumentos de gestão de risco financeiro. O gestor respondia ao deputado do PCP Paulo Sá sobre o conhecimento do actual executivo sobre o recurso ao instrumento de gestão de risco financeiro. O antigo presidente da EP afirmou que a actual ministra das Finanças conhecia a operação desde o início, já que foi a técnica do IGCP que deu o parecer favorável à operação."

Como se prova por esta noticia, a actual ministra das finanças mente sem dar por isso. Pode ser doença,: De cada vez que fala, o nariz cresce...

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Alguma coisa acontece no quando agora em mim....não percebo qual a diferença entre morrer com uma arma química, um tiro de metralhadora, um míssil, uma martelada na cabeça, veneno para os ratos, uma catana, ou a ouvir um discurso dos "verdadeiros artistas".

Ninguém pode viver as minhas dores. São minhas, nasceram-me dentro da alma, perdidas entre um músculo e um suspiro, uma dúvida e uma pertença, o medo e a calma. Trato-as portanto com carinho, abano-as no meu colo quente e segredo-lhes dizeres ao ouvido, embalo-as rente à noite e adormeço-as com o cuidado devido para que não sobressaltem inquietas, com os ventos soturnos de Outono. Poderia espantá-la, tentar distraí-la, mas oiço-a com tempo e paciência, escuto-lhe as razões, percebo-lhe os fundamentos e os anseios, espreito-a por dentro e por fora, arrumo-a em mim.
Hoje, por exemplo, dói-me o meu naco de mãe. Para além de outros, também. 

Esta indignação a respeito dos ataques com armas químicas na Síria? Não, não sou um entusiasta das armas químicas. Direi mesmo que em termos militares não sou entusiasta de coisa nenhuma.
Apenas não percebo qual a diferença entre morrer com uma arma química, um tiro de metralhadora, um míssil, uma martelada na cabeça, veneno para os ratos, uma catana, ou a ouvir um discurso dos "verdadeiros artistas". Daí a indignação fazer-me lembrar estes versos do tempo da guerra civil espanhola: "Na noite em que a mataram/ Rosita teve muita sorte/ Das três balas que apanhou/ Só uma é que foi mortal" . 
Provavelmente pensarão que centenas de pessoas mortas com um míssil, marteladas na cabeça ou veneno para os ratos terão mais sorte do que outras mortas com armas químicas, sei lá, como se estas matassem mais do que as outras ou a morte destas fosse mais dramática do que a morte das outras.

Um raciocínio virado do avesso. Má fé em estado puro...velhacos!!!

Tenho andado a ver se me deixo alienar, falo de tudo e mais alguma coisa e faço de conta que não vejo tudo a arder à minha volta. É que me sinto sem paciência para tanta baixeza e mediocridade.

Ouvi, Cavaco Silva dizer uma coisa que é assassina para as pretensões do inteligente Passos Coelho: chamou "novo imposto" ao corte de 10% nas pensões de reforma dos funcionários públicos. Adorei. Não julguei possível alguma vez vir a dizer que tinha adorado uma coisa vinda do Cavaco mas, desta vez, tenho que admitir: adorei. Um imposto não pode escolher uma fatia da população e, por isso, se isto for encarado como um imposto (e não é?) então será certamente inconstitucional.


Ou seja, com um simples epíteto, Cavaco Silva pode ter atirado à proposta de lei uma seta envenenada. Tomara que isso seja o prenúncio da morte da dita proposta e que os reformados do Estado possam respirar em paz, livres das assustadoras ameaças do governo de Passos Coelho.
Velhacos.

Ironias, a revolução continua já o Salazar dizia...(A parábola do filho pródigo).

A parábola do filho pródigo vem recordar-nos que a atual direita política, com a sua ideologia ultra liberal, cortou qualquer amarra - a não ser para efeitos de guerrilha política e de propaganda - com o cristianismo. Por muito que os seus membros batam com a mão no peito, frequentem a confissão e não faltem à missa, a sua orientação política é radicalmente anti-cristã. 

O capitalismo sobrevive forçando a maioria que explora a
definir os seus próprios interesses com a maior mesquinhez possível.

 As Igrejas cristãs, nomeadamente a ICAR , não parecem dispostas a demarcar-se dessa crueldade social, apesar de alguns fogachos.
A aposta na destruição desse Estado Social levada a cabo pela direita liberal é a prova clara que o cristianismo há muito deixou de a interessar. E quando o usa é apenas de uma forma instrumental, para enganar os cidadãos eleitores ainda crentes. O processo de destruição dos sistemas de saúde, educação e proteção social a que estamos à assistir na Europa é o sinal do corte radical que as elites europeias estão a fazer com um dos pilares da cultura e tradição ocidentais, o cristianismo. Hoje não há lugar para os filhos pródigos. Mas os filhos pródigos não são aqueles que dissipam os bens, que vivem acima das suas possibilidades? Sim. Mas para a ideologia triunfante, com exceção dos muito ricos, qualquer um vive, por miserável que seja, acima das suas possibilidades. Qualquer um é um filho pródigo e não há pai algum que o deva receber. Que emigre, que desapareça, que vá morrer longe. Para que é necessário um Estado Social?

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Destruição da escola pública/ cheque ensino....

Como se destrói a escola pública? Facilmente. Basta o cheque-ensino aprovado pelo governo. Aparentemente ele serve para aumentar a liberdade de escolha das famílias, ao permitir que elas optem entre escolas públicas e privadas. Na prática, visa financiar os generosos lucros das empresas privadas de educação e acabar com grande parte das escolas públicas. Mas, se as escolas públicas forem boas, por que razão hão-de as famílias escolher colégios privados?


São demasiadas as mentiras, as injustiças porque demasiado más as condições em se que vai iniciar mais um ano letivo, para docentes e discentes. Um colossal equívoco ministerial que resulta num incrível retrocesso - mais um - neste país.)

  Um estudo da Universidade do Porto mostrou que, apesar de terem notas inferiores nos exames do secundário, os alunos do ensino público vão melhor preparados e obtêm, no ensino superior, melhores resultados. Mas qual é a perceção que as pessoas têm? O privado é melhor.

 Nuno Crato conseguirá destruir aquilo que foi o trabalho de muitas e muitas gerações de portugueses de todas as classes sociais.

Uma mulher que marcou fortemente a vida portuguesa do séc.XX e que deixou um legado poético e de intervenção política notável.

Natália Correia....

Natália Correia faria hoje 90 anos. Uma mulher que marcou fortemente a vida portuguesa do séc.XX e que deixou um legado poético e de intervenção política notável.
Relembro aqui a sua resposta,na sequência da afirmação do deputado do CDS, João Morgado, em Abril de 1982, de que «o acto sexual é para fazer filhos», respondeu-lhe com o seguinte poema, provocando o riso em todas as bancadas parlamentares.

Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Às vezes, anoitece. Seremos aos domingos, no jardim, Reaccionários.

Aos domingos, iremos ao jardim.
Entediados, em grupos familiares,
Aos pares,
Dando-nos ares
De pessoas invulgares,
Aos domingos iremos ao jardim.
Diremos, nos encontros casuais
Com outros clãs iguais,
Banalidades rituais,
Fundamentais.
Autómatos afins,
Misto de serafins
Sociais
E de standartizados mandarins,
Teremos preconceitos e pruridos,
Produtos recebidos
Na herança
De certos caracteres adquiridos.
Falaremos do tempo,
Do que foi, do que já houve...
E sendo já então
Por tradição
E formação
Anti-burgueses
- Solidamente anti-burgueses -,
Inquietos falaremos
Da tormenta que passa
E seus desvarios

Seremos aos domingos, no jardim,
Reaccionários.
(Reinaldo Ferreira)


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

" Vale a pena morrer pelas coisas sem as quais não vale a pena viver". ( Salvador Allende)

Tal como esta outras datas ao longo do ano constituem efemérides de acontecimentos, cuja crueldade e violência devem constituir para os homens razão sobeja para parar e pensar...
É tempo de dizer basta ao grito  de "Vive la muerte", denunciada na terrivelmente bela" Guernica" de Picasso , que em cada 11 de Setembro nos ecoa nos ouvidos e nos recorda os horrores perpetrados pelos mandantes e seus matadores,em demonstrações iníquas do mais absoluto desprezo pela liberdade , pela paz e pelos direitos do homem.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Não sei se este é o mais belo poema de Bor­ges "Limites".... El otro, el mismo.

Houve um tempo em que amei as ideias e, acima de todas, a Ideia. Olhava de viés para quem não tinha ideias, e muita gente não as tinha. A vida, porém, é feita de deceções e de cansaços  Cansei-me das ideias e a Ideia dececionou-me. Não consigo perceber quem se bate por ideias e ainda menos quem mata ou morre pela Ideia. Na verdade, não consigo perceber-me a mim mesmo quando amava as ideias e esperava da Ideia a revelação definitiva.  Era uma idealista, agora nem sei o que sou. Uma cega, talvez. Resta-me aprender a andar no escuro. 

Não sei se este é o mais belo poema de Bor­ges....cada verso, todos os poe­mas dele, fuego, alba, una ama­rilla luna.
                                                                                   Lími­tes
De estas cal­les que ahon­dan el poni­ente,
una habrá (no sé cuál) que he recor­rido
ya por última vez, indi­fe­rente
y sin adi­vi­narlo, sometido
a Quién pre­fija omni­po­ten­tes nor­mas
y una secreta y rígida medida
a las som­bras, los sueños y las for­mas
que des­te­jen y tejen esta vida.
Si para todo hay tér­mino y hay tasa
y última vez y nunca más y olvido
¿quién nos dirá de quién, en esta casa,
sin saberlo, nos hemos despedido?
Tras el cris­tal ya gris la noche cesa
y del alto de libros que una trunca
som­bra dilata por la vaga mesa,
alguno habrá que no lee­re­mos nunca.
Hay en el Sur más de un por­tón gas­tado
con sus jar­ro­nes de mam­pos­te­ría
y tunas, que a mi paso está vedado
como si fuera una litografía.
Para siem­pre cer­raste alguna puerta
y hay un espejo que te aguarda en vano;
la encru­ci­jada te parece abi­erta
y la vigila, cua­dri­fronte, Jano.
Hay, entre todas tus memo­rias, una
que se ha per­dido irre­pa­ra­ble­mente;
no te verán bajar a aquella fuente
ni el blanco sol ni la ama­rilla luna.
No vol­verá tu voz a lo que el persa
dijo en su len­gua de aves y de rosas,
cuando al ocaso, ante la luz dis­persa,
qui­e­ras decir inol­vi­da­bles cosas.
¿Y el ince­sante Ródano y el lago,
todo ese ayer sobre el cual hoy me inclino?
Tan per­dido estará como Car­tago
que con fuego y con sal borró el latino.
Creo en el alba oír un ata­re­ado
rumor de mul­ti­tu­des que se ale­jan;
son lo que me ha que­rido y olvi­dado;
espa­cio y tiempo y Bor­ges ya me dejan.
Jorge Luis Bor­ges  (1964) El otro, el mismo

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Eugénio de Andrade: um poeta maior!!!






Sou de há muito admiradora amantíssima de Eugénio de Andrade. Gosto de o ler, gosto de o ouvir.

Fisicamente há nele qualquer coisa de um Jorge Luis Borges, acho-os muito parecidos e, no jeito de falar, também: um lado de quem não vê o mundo como ele é, de quem sonha o mundo tal como o viu no tempo em que a inocência o mostrava limpo, branco.


A sua poesia traz a saudade da sua mãe, das mãos da sua mãe, e traz a elegia dos corpos desejáveis dos rapazes, dos rapazes correndo na praia ou no campo como animais, como cavalos jovens, o sexo elevando-se como uma haste, e traz a pureza de uma sombra de verão caindo lisa sobre uma parede caiada, e traz o perfume das maçãs dispostas sobre as mesas, a simplicidade das coisas verdadeiras. 

As palavras como gotas de música, como um olhar límpido, como o desejo que nasce puro e etéreo.



Não voltarei à fonte dos teus flancos 

ao fogo espesso do verão 
a escorrer infatigável 
dos espelhos, não voltarei. 

Não voltarei ao leito breve 
onde quebrámos uma a uma 
todas as frágeis 
hastes do amor. 

Eis o outono: cresce a prumo. 
Anoitecidas águas 
em febre em fúria em fogo 
arrastam-me para o fundo




Entre a folha branca e o gume do olhar 

a boca envelhece 

Sobre a palavra 
a noite aproxima-se da chama 

Assim se morre dizias tu 
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura 

Na porosa fronteira do silêncio 
a mão ilumina a terra inacabada 

Interminavelmente 


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Álvaro Cunhal em versão revista do coração, entre fofocas e confidências - anos de reserva, de cuidado em preservar a sua vida privada, anos de luta, para afinal agora virar motivo de interesse da TV Guia e do Relvas.

Olhem-me bem esta Judite de Sousa aqui na TV Guia. Não sei o que é que deu nela. Agora está em tudo o que é revistinha... e vejam-me bem estas maneiras. Se isto é maneira de aparecer, de cai-cai, bracinhos para cima, a brincar com o cabelo, quase com o Álvaro Cunhal ao colo.





E, com este lance editorial, a Judite, sem dificuldade, de uma penada, passa a perna ao Pacheco Pereira. Anda o Pacheco anos a fio investigar e a estudar documentação do Cunhal e do PCP e, afinal, eis que, sem dificuldade, no intervalinho do trabalho na TVI, a Judite lança um furo destes. Grande Judite. E Grande Relvas que a ele também ninguém lhe passa a perna.

Se o Álvaro Cunhal fosse vivo e tivesse uma página no facebook era só likes...! Ele era o Marques Mendes, o Marcelo Rebelo de Sousa, o Miguel Relvas tudo no maior enlevo pelo papá Cunhal...! Isto há  cada uma!!!....

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tanta rafeirice, têm muitas defesas ,porque resultam de muitos cruzamentos!!!

Eu podia dizer que o nosso primeiro não sabe o que é a democracia, que não tem moral, que não tem amor à pátria. Podia e, se calhar, devia. 

Digo então umas palavrinhas simples. 

Se ele pudesse suspendia mesmo a democracia, seis meses chegavam-lhe - como a manelinha uma vez disse, mas ela, afinal, ao pé dele, não era má pessoa.Se ele pudesse não mudava a constituição: acabava com ela. Ele não gosta de leis, se não lhe servem diz que as muda, e diz isso porque ainda lhe resta um resto de decoro e intui que lhe ficava mal dizer que acabava com elas. Mas, de facto, onde ele se sentiria bem seria numa terra sem leis. Ele é o verdadeiro fora-de-lei. 

Agora que já todos lhe vimos os dentes, a forma raivosa como os range, sabemos que seis meses lhe chegavam para escaqueirar de vez o país, e, a seguir, vender os cacos a qualquer um. Os eleitores foram na conversa de barítono, na carinha sonsa com sorrisinho de pechisbeque. E ei-lo agora onde está. E de lá não sai. O pior é mesmo a rafeiragem, têm muitas defesas, resultam de muitos cruzamentos. Misture-se o ângelo com o miguel (o correia e o relvas, quero eu dizer), misture-se a mistura anterior com o zé luís e o dias (arnault e loureiro), e misture-se a pomada assim obtida com o marco e a rute (o antónio e a marlene), e a misturada anterior com a cristina e a maya (a ferreira e a do tarot), e, no fim, vai chegar-se a um híbrido que tem genes deles todos.  É isto que foi escolhido para primeiro. Dali só se pode esperar o pior. E, como todos os rafeiros, tem uma resistência que só vista. Resiliência, é capaz ele de dizer. 

Mas o País é o que é, basta a gente ver os cartazes destas eleições. Gente que parece uma caricatura. Vestem-se como não dá para acreditar. Fazem poses para a fotografia como nem a fingir. Escolhem slogans que são de gargalhada. Fazem conferências de imprensa hilariantes. Em grande número não passam de anedotas. Supostamente isto será o que de melhor há em cada terriola, escolhidos para serem os representantes do povo.

É deste tipo de gente que nascem os nossos representantes. Nomeadamente, é gente assim que, de vez em quando, se junta para escolher o secretário geral dos partidos. E nós depois votamos nesses secretários gerais ou presidentes. O que é se poderá esperar? Porcaria. Só sai porcaria.

É este o povo que temos? Ou o povo é melhor e aqueles que aparece nos cartazes são personagens de filmes cómicos?

Uma desgraça, de qualquer maneira.
Para não me estar sempre a repetir e a mostrar o desgostada que ando com tanta rafeirice, e enquanto não acontece por aí uma chuva ácida que derreta a porcaria que parece ter ungido os políticos deste país, vou tentar alhear-me ...
Fica para o futuro. O futuro é um lugar bom....