quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Arrelias ...Halloween?...Por tudo, quem dera vestir-me de «espan­ta­lha» ...


Se eu pudesse escolher, ficaria com as noites. Já todas as manhãs me pareceram o princípio do mundo, agora não.
Tenho arrelias....
... com "alguma" chamada classe média portuguesa, corpo social amorfo que por baixo toca o povinho, e na outra ponta se quer fidalga, esquecendo, ou ignorando, que o verdadeiro brasão não se herda nem se compra, ganha-se.
Arreliam-me ,Halloween(s)...importado coisa e tal, pindéricos somos há um ror de anos!!!...

Num meio rural, têm graça por­que can­ta­ro­la­dos pela peque­nada conhe­cida. Numa urbe, des­toam. 
Por tudo, quem dera vestir-me de «espan­ta­lha» com abó­bora no arrasto, luzes den­tro e car­vão na face!...e com tone­la­das de bene­vo­lên­cia...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A natureza humana é demasiado imperfeita; é instável e incorrigível.

"Sou um pouco de todos que conheci, um pouco dos lugares que fui, um pouco das saudades que deixei e sou muito das coisas que gostei". 
(Antoine de Saint-Exupéry)

Por muito ténue ou envergonhado que seja, haverá sempre uma socióloga, psicóloga, politóloga, .... algures esquecida numa das múltiplas e desarrumadas gavetas do meu ser. Só isso pode explicar o meu mórbido interesse pelo fenómeno que esta sociedade, este governo, que ficará pela negativa na memória do povo, conseguiu mover a maioria dos trabalhadores do privado contra o público e vice versa. 


Anoitece em silêncio a alguns a breve vida,
a outros o circo se desfaz na praça pública.


Para rematar esta divagação:

 Não percebo o que é "fascismo higiénico".
 Não vale a pena adular fantoches e bater-lhes palmas, pois as mãos que hoje as batem, amanhã lançar-lhes-ão pedras de raiva e vingança ...
A natureza humana é demasiado imperfeita; é instável e incorrigível.



Vivemos um interregno político sem ética, sem valores e sem referências...

Melhor ou pior, uns mais, outros menos, vivemos as histórias que contamos, as que mentimos, as que nos ajudam e, por vezes, in extremis  nos salvam. 
Infeliz, o que vive sem imaginação, aquele que por horizonte e esperança só tem o que os olhos alcançam. Cego por dentro, tudo lhe parece fronteira, obstáculo, razão de desistência.
Gosto do que vejo à minha frente quando abro os olhos. Gosto de quase tudo que deixei para trás, quando fecho os olhos e vejo o percurso feito. Gosto da solidão que me dá paz e me permite refletir no ontem e projetar o depois.. .
Gosto do que tenho à minha frente, quando fecho os olhos e vejo o resto do meu caminho.
Não gosto deste sistema...nervoso...
...estes cortes anunciados para 2014, designadamente no que se refere aos vencimentos e às pensões dos funcionários públicos, são, simplesmente, imorais!... Estamos a viver uma vertiginosa e histórica fase de investimento na destruição dos direitos dos trabalhadores e da qualidade de vida dos cidadãos...
Vivemos um interregno político sem ética, sem valores e sem referências ....

terça-feira, 29 de outubro de 2013

As palavras de Alexandre O'Neill e a música de José Mário Branco. (Perfilados de medo)

Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
e a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido...

Alexandre O'Neill, in "poesias Completas"


www.youtube.com
Perfilados de Medo - Poema de Alexandre O'Neil Perfilados de medo agradecemos o ...



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Narrativas... - Lembra-se de mim? - Com certeza.

Nestes últimos anos, a vida tem-me surpreendido de uma forma muito especial. Tenho vivido experiências e momentos únicos e irrepetíveis, que me têm ajudado a perceber o meu lugar neste "puzzle" que é a vida e a importância que cada peça tem (ou não!) na mesma. 
Experimentei ser saudável (ou supor ser...) e em menos de duas horas estar "no outro lado"... e voltar para este, uns dias depois... 
Experimentei a dor da saudade, experimentei a ausência e as saudades, percebi que a expressão "nunca mais" pode também significar "um dia destes..."
Não deixei que me  roubassem a dignidade e a esperança. Não gosto de voyeurismos!...
Uma das minhas máximas de vida diz "deixa que a vida te aconteça; acredita, ela está sempre certa!". 
"Sarcástica e generosa, pessimista e inspiradora, entusiasta e dada a desalentos súbitos..."(lembra-se de mim? com certeza.)



domingo, 27 de outubro de 2013

Memórias..."brincar às casinhas". Qualquer dor é a totalidade do mundo.


As sombras não são boas companheiras, parece que sugam a vida. 
Aos poucos, a vida, destituída de luz, vai procurando mais e mais sombra...
E depois já não são apenas sombras, já é um negrume que avança como irreversível gangrena.
De cada vez que me acontece voltar à infância, uma das memórias que sempre tenho é aquilo a que chamávamos brincar "às casinhas". 
De cada vez que volto à infância uma das memórias mais felizes que tenho é do tempo em que fazíamos de conta que éramos Deus... a vida de todas aquelas "pessoas" estava nas nossas mãos e todos eram felizes, com saúde, amigos, trabalho, dinheiro e, sobretudo, muita segurança.

 Desenhávamos....de cada vez que não ficava bem à primeira voltávamos a desenhar de novo.  Porque será que a Deus não foi dada essa hipótese? Se pudesse de novo "brincar às casinhas" juro que Lhe daria muito mais que sete dias para criar o universo... e como naquele tempo não havia ainda computadores com a tecla "delete" dava-lhe um pau de giz colorido e um apagador, não fosse ele precisar...

     (Álvaro Cunhal)
Qualquer dor é a totalidade do mundo.

O que a memória gosta fica eterno.

"E finalmente começa a despontar em mim um certo pressentimento: talvez não tenhamos sido feitos para entender a vida. Talvez toda esta fúria de querer explicar e entender, toda esta corrida em busca da verdade, seja um movimento errado".
O dia nasceu sem cor, com a palidez doentia de quem chorou a noite inteira, com fragilidades e desencantos.
Oiço a voz do entardecer que me leva até ao anoitecer, oiço a voz da consciência e aquela que vem do além (doce, serena)...
Em momentos de reflexão, pensamos na vida que vivemos, nas pessoas que dela fazem parte, num tempo passado ou presente e tentamos fazer um balanço do certo ou errado de quem chamamos e quem fica ou quem mandamos embora....
Os dias passam, o tempo corre, enterram-se inimigos , conquistam-se amigos, esperam-se surpresas, escolhem-se esperas, sentem-se saudades, lembram-se músicas, ouvem-se poemas, fechamos o mundo...
Às vezes, é preciso levar as emoções ,lá do fundo do baú, a passear pela calçada caminhada....



 "O que a memória gosta fica eterno".

sábado, 26 de outubro de 2013

Cuidar é agir!

Dia das memórias. E dos regressos. E dos acabados de chegar. 
Dia de muitas emoções. De novas aprendizagens....

Prendo-me às coisas raras ...
Grilhões em demasia! 
 Poupem-me os lugares comuns que falam do coração, do eternamente e do resto.
Porque sim!
Ao pôr-se a caminho, alguns têm caminhos retos, outros oblíquos. Há, no entanto, aqueles para quem a viagem é feita por veredas emaranhadas, becos sem saída, caminhos que levam a lado nenhum...
 « Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento . Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.» (Brecht)

mudanças pela vida.




sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A política fundada em bodes expiatórios.(dos juízes, aos professores ...e ..."todos" em geral).

Pior do que não reconhecer um erro é não ter consciência do erro cometido.
Na próxima semana todos ficaremos a saber que o guião para a reforma do estado é um documento vazio de ideias e de coerência. Uma inutilidade e uma perda de tempo. Uma justificação da preguiça de Portas. Quiçá mais uma lista de cortes. Desta vez de organismos de estado. Com o mesmo critério que presidiu ao corte dos salários e pensões. Ou seja... sem critério.
O que há de mais negro nestes tempos não é a crise ou o aumento exponencial da pobreza e do desespero. O mais negro está no carácter vil de muitos... e chegado o seu tempo, não hesitam em mostrá-lo. 
Quem com ferros mata, com ferros morre. O recurso a este velho provérbio deve-se a José Sócrates. Quando chegou ao poder, a primeira coisa que fez foi arranjar bodes expiatórios. Começou pelos juízes, mas estes não se prestam para vítimas sacrificiais. São poderosos e, por algum estranho acaso, os políticos temem-nos. Dos juízes, Sócrates passou para os professores. O professorado não superior é um grupo social que, à partida, ninguém teme e presta-se mesmo para ser imolado. Desprezados pelos de cima, invejados pelos de baixo, os professores foram o bombo da festa nas mãos de Sócrates e da ministra da altura. Fez-se de tudo para os humilhar e desprestigiar aos olhos do público. Sócrates pensou neles como os bodes expiatórios perfeitos, cujo sacrifício redimiria a pátria e traria a glória à sua governação.
Corrido da governação, Sócrates parece agora não gostar de se ver como o bode expiatório das atuais políticas. Eu percebo-o bem, mas ele (e a função pública, claro) apenas está a ser vítima de uma estratégia que ele, "eles", usam cruelmente. Sejamos claros. São todos bons rapazes!...
Isto não significa que eu absolva Sócrates. Ele não o merece. E não o merece porque foi ele que inaugurou, nos tempos recentes, a política fundada em bodes expiatórios.  Eleger bodes expiatórios significa isolar indivíduos ou grupos para serem perseguidos pelo todo. Uma política baseada em bodes expiatórios significa que se abandonou o uso da razão e se confia o destino da comunidade ao pensamento mágico. 
O resto é silêncio.

A "lavagem ao cérebro" da propaganda governamental...(esse empecilho do Tribunal Constitucional)!!!...

Herdeiro das políticas de esbanjamento de Sócrates e seus antecessores, o atual Governo faz-se passar por um gestor da crise daí decorrente, quando na verdade é ele o gerador-amplificador dessa mesma crise, usando-a como pretexto para reformatar a sociedade através dos "ajustamentos estruturais" e da tal "reforma do Estado" - esse grande mistério ou divertimento do irrevogável embusteiro Paulo Portas. Passos Coelho, esse, exibindo uma expressão condoída, a emoldurar um discurso marcado pela hipocrisia, a sua grande preocupação é que a implementação das "inevitáveis" medidas de austeridade e os chamados "programas de ajustamento estrutural", tomem em consideração os mais fracos e desprotegidos, e que promovam a equidade e justiça social, e que todos cerrem fileiras contra aquela "arma de destruição governativa", que é esse empecilho do Tribunal Constitucional....

Tudo coisas sem importância..

nonsense pegado que é o OE!!!...
O País está a ficar cada vez mais pobre: sem empresas portuguesas, sem massa cinzenta jovem, sem uma população coesa, com pobres que nunca mais acabam, com gente insegura e com medo - e o assustador é que isto, às mãos destes sujeitos, está a tender rapidamente para a irreversibilidade.
Esta gente tem que ser corrida. Mas tem mesmo. São larvas que estão a comer a carne do país.

No meu horizonte não há espaço para o desalento...Sei que é uma tarefa árdua, esta de continuar a acreditar e não desistir, mas a minha teimosia é ainda mais forte! Por eles, e por mim.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Relembrar "As Farpas" e Ramalho Ortigão ( nasceu no dia 24 de Outubro de 1836. Morreu em 1915.)

 Relembrar , uma importante figura da História da Cultura portuguesa, que nasceu neste dia, 24 de outubro, em 1836. A sua literatura é um retrato da sociedade portuguesa do século XIX.
 No mesmo ano em que decorrem as Conferências do Casino, e orientada no mesmo sentido de crítica geral da sociedade portuguesa, aparece uma publicação mensal redigida por Eça de Queirós e por Ramalho Ortigão - As Farpas . Cada número constituía um comentário crítico e satírico aos acontecimentos e instituições, orientado segundo um ideário cuja principal fonte era, então, a obra de Proudhon. 
Janeiro a Fevereiro 1877
"Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição do poder, da escravidão dos partidos, da veneração da rotina, do pedantismo das sciencias, da admiração das grandes personagens, das mystificações da politica, do fanatismo dos reformadores, da superstição d'este grande Universo, e da adoração de mim mesmo".
(P.J. PROUDHON)

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"RAMALHO ORTIGÃO - EÇA DE QUEIROZ"
AS FARPAS

"- Este partido abusa!
- Isto não vale!
- Isto não é do jogo!
- Elle esvasia o pipo!
- Larga o pipo, pipa!
- Larga o pipo, pimpão!
- Larga o pipo, ladrão!
E incitam-se uns aos outros até á ferocidade:
- Chega-lhe rijo!
- Mais! que lhe dôa bem!
- Rebenta-me esse ôdre!
- Racha-me esse tunel!
- Ah! cão!
O partido, porém, continua sempre a beber, e é insensivel a tudo: á dor, ao insulto, ao chasco, ao improperio, á graça pesada, á insinuação perfida e á alusão venenosa!". ............
e por aí fora...

 Continuam as dissonâncias no executivo. Agora é o "programa cautelar". Caramba: não conseguem combinar nada? Ou falar menos? Que dizem destas estrelas cadentes que nos governam?

Os mais belos poemas da natureza. ( as árvores como metáfora)...

Contei os meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando os seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Quero a essência, a minha alma tem pressa...E para mim, basta o essencial!...


Quero falar das árvores do silêncio solene da montanha, na chuva de luz que cai pelos rendilhados das copas, nos perfumes das resinosas, na surpresa constante dos tons outonais.
Vejo nelas um dos mais belos poemas da natureza e os aspectos que assumem durante o ano parecem ter sido decididos para não nunca nos cansarmos delas. Impressiona-me a utilidade que têm, mesmo depois de mortas; espanta-me a beleza de todas e de cada uma, juntas e isoladamente. 
A árvore como metáfora seduz-me igualmente, pela dignidade das possibilidades que lhe garantem as raízes, os ramos, as flores, os frutos, as copas frondosas, a mutação das folhas, o facto de morrerem de pé e quando cortadas manterem uma dignidade única em cadáveres.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Trata-se de cortes insultuosos, e não servem absolutamente para NADA!

"POBRE MINISTRA DAS FINANÇAS". Coitadinha! como sabe escapar "airosamente" das suas faltas?!...
Quando o nível moral duma sociedade baixa ao ponto em que está hoje, esperamos antecipadamente que a revolta contra esta sociedade tome por vezes formas que nos farão estremecer; mas não condenamos por isso a revolta.
Trata-se sim... De Mulheres! Estas serão MADRASTAS de certeza! Além de velhacas desumanas! Da que está sentada na Assembleia e é insultuosa. Duma outra que gerindo as Finanças deste país, afirma que os seus habitantes não se devem sentir injustiçados! 
Parte-se do pressuposto que professoras ensinam aos seus alunos a ser bons cidadãos. sobretudo serem honestos, perceberem o seu lugar na sociedade. Que ninguém deve ser mais que o outro, ou exercer coação sobre o próximo da forma menos lícita... Porque houve um tempo no passado em que muitos sofreram. Passavam fome! Morreram ou ficaram estropiados por este país, numa guerra sem propósito. Foram presos e torturados. Emigraram, e trabalharam de sol a sol, cá ou lá, por uma côdea de pão. Ninguém sequer gosta de recordá-lo! 
Quais terão sido os ensinamentos preciosos que Maria Luís Albuquerque passou a Passos Coelho?  E terá sido preciso ela ensinar-lhe alguma coisa, pergunto, ou o nosso rapazinho que nunca soube o que é trabalhar! Suar para ganhar o que come, não necessitou de mestres?
Ainda há homens de bem, como mulheres de (bom fundo) nível. Só não percebo por que se continua repetidamente a escolher e a premiar os vilões. Como não se julga todo aquele que lesa o património de todos, após prova concreta do insucesso da sua política?!...

"Preparação" de um "programa cautelar"...o que é isto? Não me quero ocupar com tal missão, é difícil e penosa!!!...


O tempo está a ficar fresco, amanhece entre o sol que ainda teima em mostrar-se e as nuvens que já se afoitam a tapá-lo.
Quando me levanto gosto de começar o dia com a largueza do grande espaço que tenho à minha frente.
Precisava de ser mais pessoa, maior até, com um colo grande que acolhesse mais,   que tingisse com cores de coragem, investimento e encanto aquilo que a "tantos" dói...
Estou cansada de comandar destinos. Tomar nas mãos o centro do meu mundo, pensá-lo com mil precauções e sentidos, escolher a paisagem certa para os eventos de ser pessoa em conjunto com outros. Cansa.

Não gosto disto. As montras começam a aparecer com árvores de natal, renas, bolas. Não gosto.
Não gosto nada de antecipar o que quer que seja. Tal como não gosto de cultivar saudosismos. O tempo em que vivo é este, agora, neste preciso e efémero instante.
É fatal como o destino sentir-me reconciliada com o mundo nesta altura do ano.
Dizia Kant que havia duas coisas que lhe enchiam o ânimo de admiração e veneração: o céu estrelado por cima ele e a lei moral dentro dele.

"Preparação" de um "programa cautelar" para vigorar a partir de 2014.
 Enquanto não conseguir entender e apaziguar esta procura não quero sonhar mundos onde todos tenham um lugar.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Vagueando pelo" correto" e o" incorreto".(Sócrates e Rui Moreira)

Adoro a chuva, em bátega, água a cair do céu a cântaros, às cordas, como dizem os franceses e aos gatos e cães, como dizem os ingleses, vertical, oblíqua, discreta, certinha, repentina.
Verifico  que a chuva potencia alguns prazeres: ler, repousar, refletir, num recanto acolhedor ...
Porém, em dias de chuva, sinto algum desacompanhamento na alegria...
 Olho para as nuvens e agradeço que continuem a sua benéfica atuação de luzes, sombras e som. 
Entretanto, permito-me vaguear pelo:

Correto e incorreto




A entrevista de Sócrates ao Expresso e a linguagem que utilizou não são a forma correta de estar, na política ou em lado nenhum. As palavras deviam - devem - ser mais contidas e não proferidas como o intuito de incendiar as hostes. Contudo, também me fizeram soltar umas gargalhadas - como o politicamente incorreto e os enfants terribles, muitas vezes, o conseguem.
E por falar em palavras com o tom certo - e o conteúdo, já agora - apreciei bastante a entrevista dada  pelo novo presidente da câmara do Porto. Pouco dele conhecia antes, pouco sei dele,  a não ser o que vejo agora. E, francamente, parece-me inspirador, inteligente e sereno, longe dos tons inflamados que caraterizam muitos autarcas por aí. A política precisa de pessoas assim: independentes de espírito e fortes. Livres, pareceu-me.

Memórias. (por cegueira não descortino, ou por medo prefiro ignorar)...


Memórias. Pouco importa donde vêm, como nascem, o que as traz ou significam. Chegam em turbilhão, imagens a desenlear um emaranhado de vivências sem lógica nem cronologia, mistura de retratos, histórias de um apresentador invisível, mensagens sussurradas por não sei quantas vozes estranhas, de longe a longe uma de tom familiar. 
Mas nada que me permita descobrir se é doença, estado segundo ou castigo.
Sonho não será, porque também as recebo acordada...
Talvez  uma forma de revelação de que não descortino o benefício, quiçá aviso que recebo, prenúncio de sofrimento, janela que me permite entrever o que receio confrontar: os precipícios que a existência oculta. Ou apenas imagens numa galeria de espelhos que por acaso  atravesso, fabulando entraves e carências .
Quem sabe se ajuste de contas a que, por remorso, inconscientemente me sujeito, ou a que sou forçada, pois a minha é vida de ardis e faltas, contradições, promessas vãs. Fujo dos outros, mais ainda de mim própria, sempre em dúvida, hesitando no caminho e na resposta, na decisão, avessa a certezas.
É também possível que, sem noção de que o ambiciono, me procure no semelhante, veja nele o que suspeito que eu poderia ser, ter sido, talvez seja, mas que por cegueira não descortino, ou por medo prefiro ignorar.
O que é que isto interessa? Nada!

sábado, 19 de outubro de 2013

É como se não houvesse amanhã, é verdade!!! A Pont(e)a pé...


O mundo é um lugar harmonioso. Baralha-se quando as pessoas julgam que podem ser o que não são. Daí em diante, algures num passado longínquo, quiçá desde que o Homem é Homem, vivemos numa selva ligeiramente racional.
Um ver se te avias, uma festa, uma ausência de limites, uma perdição.
À força de nos disfarçarmos perante os outros acabamos por nos mascarar perante nós mesmos.
Tretas. Tantas e de tais calibres, que até uma alma tendencialmente pacata como eu, se abespinha. Há limites. As pessoas têm boa vontade, entendem que os tempos correm difíceis, vêem o que vai sucedendo pelo mundo fora e arrepiam-se. É tudo muito mau, há povos que passam horrores, existem países que são devastados por acidentes naturais, mas isto conta absurdamente pouco quando se nos aperta a garganta com questões pessoalíssimas. Essas sim, são mesmo a doer.
É como se não houvesse amanhã,é verdade!!!...
Haverá manifestação que chegue para travar este caminho?

Dizem que o Inverno está a chegar...
Não sei se vem de avião, de comboio ou de autocarro. Sei apenas que vem .
As cores dos dias vão ser diferentes, é sempre assim...



Dia da memória de Manuel António Pina... "Mostrar o invisível , Aniki-Bobó". Um hino à infância enquanto território das grandes descobertas e revelações.


Inédito durante quase duas décadas, Aniki-Bobó, o ensaio de Manuel António Pina sobre o filme realizado por Manoel de Oliveira em 1942, foi uma encomenda do British Film Institute para uma colecção sobre clássicos da história do cinema. O livro nunca chegou a ser publicado no Reino Unido, embora uma parte do texto tenha aparecido no catálogo do ciclo ‘Odisseia nas Imagens’, ao tempo do Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura.
.......
"Aniki-Bobó
Autor: Manuel António Pina
Ano de publicação: 2012".

Agora em versão integral, a leitura de Pina mostra-nos uma faceta talvez menos conhecida da sua abrangente mundividência: a de cinéfilo atento e apaixonado.
Aniki-Bobó
, rodado nas margens do Douro com «pequenos actores amadores», descobertos por Oliveira nos locais de filmagem,  foi mal-recebido de início, tanto pela crítica como pelo público, mas ocupa hoje um lugar central na história do cinema português. Pina comenta o filme quase plano a plano, levando-nos para o coração desta história de amores infantis que espelham o «mundo real dos homens (…), reduzido (…) à sua mais funda e descarnada estrutura: Bem e Mal, justiça e injustiça, esperança e medo, felicidade e infelicidade, desejo e morte, amor e ódio». Com o seu «realismo poético», o filme é um hino à infância enquanto território das grandes descobertas e revelações.
(in revista ler)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Este país é uma aberração! Pequena miragem de vida ...

Saio pelo portão da frente e viro à esquerda, não posso pagar, ali ao lado há uma outra solução mais baratinha, também ela satisfatória. Não há médico, mas vai-se ao hospital. Há uma televisão que anima o espírito nos dias em que ele ainda vive desperto, nos outros espreita-se só a fresta da janela que dá para a estrada, não há quintal. Em opção fica-se em casa , distraída pela doença neurológica que desencaminha muitos euros em comprimidos, leva memórias e competências.
 Depois vem o Natal, e o que eu gosto do Natal!...
No Natal as pessoas preocupam-se muito com os velhinhos que passam os outros onze meses sozinhos, com os "sem-abrigo", os doentes, os desajustados da vida e trazem farófias , fatias doiradinhas , polvilhadas a canela e açúcar. Nessas alturas tudo parece funcionar em permanência, a solidariedade brota nas pessoas, nas famílias, nos políticos e na vizinhança que não quer perder a oportunidade da boa ação que acolhe a necessidade de braços abertos, há alturas em que o mundo se sustenta a ele próprio. Ah, maravilha das maravilhas!...
Mas depois vem o ano novo e a vida velha. O costume, o pão que está seco, a sopa que azedou, o dinheiro que não cobre as dores que desatinam nas pernas e nas costas. Volto a pensar e preciso de um sítio que eu possa e que exista para mim. Os que existem para mim são os que que eu consigo pagar, que aos outros não chego, por pobreza ou falta de poder, logo não constituem solução.
E um País que permite e incentiva isto, não é desenvolvido, é uma aberração.



"A fome não é um dever Constitucional." traça uma linha delimitadora!...

A pobreza e a exclusão social constituem um flagelo das sociedades dos nossos dias e não há dúvidas de que o empobrecimento das famílias em Portugal é uma realidade.
Realidade que se agrava dia após dia.Sinto admiração por Adriano Moreira, um Senhor, que usa palavras acutilantes como punhais embora pareçam de veludo. A fome não é um dever constitucional - é uma frase brilhante.
Acho muito bem e acho até um sinal de rara vitalidade que homens de provecta idade como Adriano Moreira se cheguem à frente e protestem da melhor forma de que são capazes.
Este não é um post para discutir Adriano Moreira, mas para sublinhar uma frase que traça uma linha delimitadora. E é de olhos postos nessa linha, no teor dessa frase, que devemos prosseguir. Cada um que escolha de que lado quer ficar. E que assuma as consequências dessa escolha. Não haverá cinzentos. E os cravos terão espinhos. Para que isto não se repita.

"A fome não é um dever Constitucional."


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Doidice ocasional?.. "o dia virá, como veio sempre"...Os meninos dentro da fogueira, o dia virá!!!

Estamos quase desfeitos. Toda a gente nos diz que o laxante não faz bem à diarreia mas a gente é que sabe. Estamos a chegar ao fim de 2013 e vamos pedir mais receitas de laxantes. E para 2014 queremos tomar laxante do mesmo mas em doses cavalares. Não temos feito outra coisa senão m... mas achamos que ainda é pouca. Por isso, a receita é carregar na dose.

 Que, segundo um relatório da Unicef, mais de 25% das crianças portuguesas vivam em privação material é pormenor para esta cambada. Que revoltante!                                                                        


 Será que eles, "os meninos", um de cada cor mas os dois da mesma, já pensaram no ridículo que é anunciar com um encolher de ombros, e como se nada fosse, um orçamento recessivo? Mais um? Será que os meninos algum dia perceberão que quando chegar um orçamento "não-recessivo", não vai restar pedra sobre pedra e que nada se ergue em cima do nada? Claro que não. São meninos à volta da fogueira, que se limitam a recitar aquilo que quem ateou o fogo lhes ensinou. São meninos à volta duma fogueira chamada Portugal. Era bom que alguém os empurrasse lá para dentro, para eles sentirem na pele o quanto dói cá fora. O dia virá, como veio sempre. O dia virá. E nesse dia continuarão sem nada pensar, perceber ou sentir. Não vão ter tempo. Os meninos dentro da fogueira.



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Escrever para quê, para quem?... (Maria no País dos contos).«Presidente angolano anuncia fim da parceria estratégica com Portugal»


 Escrever para quê, para quem? Escrever para não ter de mentir???...
 Porque aparentada com a maldade, a mentira é abominável, seja aquela que destrói um povo e um país (todas as ditaduras o exemplificam), sejam as mentiras que contamos aos outros e a nós próprios, acossados pelo medo atávico do incompreensível. Porque incapazes de lidar com as consequências da verdade, todos mentimos; faz parte da tendência para a devassidão do género humano. Não há remédio, muito menos remédio santo.
Sendo uma possibilidade de interpretar e reorganizar o mundo à nossa volta, incluindo o mundo que nos acontece, a escrita e a arte surgem como libertação temporária do mal absoluto, que é sempre frio e estéril. Para destruir o ser humano, basta atirá-lo para uma grande desolação interior. Contar-lhe uma mentira e negar-lhe a possibilidade de contrapor com as armas que tiver à mão: a palavra, a espada, o riso ou outras. Para uma luta justa.
Maria no País dos contos:
Com o patrocínio do Presidente da República, do Primeiro Ministro e Rui Machete , ministro dos negócios estrangeiros.

«Presidente angolano anuncia fim da parceria estratégica com Portugal»










Há cada vez mais dias negros neste país...vivemos tempos de infâmia!!!...

Há cada vez mais dias negros neste país.
Sofro uma dor negra por ter de escrever isto:
Alguns membros do Governo são "delinquentes" e "têm que ser julgados, depois de saírem do poder". 
Não e não!.... devem ser julgados sem esperar que saiam do governo.

Mário Soares chama-lhes "delinquentes"; Jerónimo de Sousa fica-se por "trapaceiros e malabaristas"; Marques Mendes chama-lhes "adolescentes e gente imatura".
Gente séria não é, com certeza...

Vivemos tempos de infâmia e, ou alguém investido do poder põe cobro a esta maldita submissão, ou isto vai acabar mal como sempre acabou para quem nos tentou subjugar e para os detentores do poder que colaboraram com a submissão.
Foi assim com os Filipes, foi assim quando a família real meteu o rabo entre as pernas e fugiu para o Brasil e ainda foi assim mais umas quantas (poucas) vezes nesta Nação milenar cujo povo sempre soube voltar a dar-se ao respeito.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Há vozes onde se espelha a falsidade!!! Ainda há quem acredite na boa fé e na bondade de Paulo Portas. Incrível!

Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte,  o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez.
(William Shakespeare)

Distingo "os homens" com uma forte veemência, de um lado uns do outro os outros, cada um com a sua tarefa a cumprir, distinta, fragmentada, definida por um critério impresso nas páginas dos tempos, como se esses não tivessem ultrapassados.
Ao longo dos dias as histórias repetem-se, mas fazem-no de maneira única, não do único como precioso, mas do único sem alternativas.
Ainda há quem acredite na boa fé e na bondade de Paulo Portas. Incrível! Se calhar é melhor fazer um desenho aos crentes…
… e um desenho dos crentes para os incrédulos, a explicar onde é que cabe aqui a matemática da maioria absoluta num futuro Parlamento.
Há guerras em que não adiantam tratados de paz, mensagens tocadas pela piedade ou pela poesia, nem avisos das vingativas trombetas, divinas ou humanas. São guerras em que a sua estratégia é obscura encerrada num bunker de recusas...


domingo, 13 de outubro de 2013

Foi a tarde mais linda de todas as tardes .( para um dos meus tesouros).

"Há muito que já perdemos o paraíso. 
E o novo que queremos 
e que temos que construir, 
não se encontra no equador 
ou nos mares quentes do Oriente. 
Ele  encontra-se dentro de nós mesmos".

(
Hermann Hesse)

Parabéns, minha vida. Faz hoje anos que te vi pela primeira vez. Foi a tarde mais linda de todo  as tardes... 
Adivinho as tuas  tristezas , reconheço-te as alegrias, conheço  as tuas músicas , os livros que aprecias, percebo os caminhos que percorres, os trilhos que ficaram e os que se apagaram... 
Mas  nenhuns se vão perder, porque há forças que resistem ao tempo e as nossas insignificâncias vão ficar eternamente de mão dada.
Todos nós temos máquinas do tempo. Algumas levam-nos para trás, são chamadas " memórias", outras levam-nos para frente, são chamadas sonhos.
As "Margaridas" em sentido contrário, não seriam as mesmas.
Navega, descobre tesouros, mas não os tires do fundo do mar, 
o lugar deles é lá... 

Porque tudo o que a brisa leva, o vento faz voltar ...



sábado, 12 de outubro de 2013

A Memória, longe de limitar a Imaginação, desperta-a e complementa-a.Todas as revoluções são impossíveis... até se fazerem.


O meu passado não me impede o presente e não me corta a palavra. Adiante.
Não basta acreditarmos que podemos mudar algo ou alguém. Não basta acreditarmos que podemos fazer a diferença. Por vezes, não bastamos nós. Não basta a nossa vontade, a nossa fé, a nossa força. E ninguém muda se não quiser, se não vier de dentro, se não tiver o desejo de mudar e ganas para o conseguir. Posto isto, que fazer? Desistir é uma possibilidade, acreditar, ainda assim, é outra. No final, haverá um resultado. É esperar para ver. A esperança mantém-se embora não baste. Não basta e, no entanto, alimenta os dias. 
Não me parece que seja no nosso tempo que Portugal se reintegre ou se reencontre.
O facto de não acreditar que seja nos próximos tempos que Portugal se revolucione e revolucione, e para isso é necessário começar pelas mentalidades, não é razão (muito pelo contrário) para ficarmos parados, à espera que o relógio faça o trabalho sozinho. Facilmente podemos ser “acusados” de "sonhadores". É o meu insulto favorito. Sempre que me chamam isso − ou lírica ou algo semelhante − tenho a certeza que o caminho é este.
Todas as revoluções são impossíveis... até se fazerem.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Mesmo sabendo que existem cortinados de nevoeiro na janela do meu quarto, quero apreciar a "arte", que é vida! neste mundo que nos torna, dia-a-dia, mais pequenos.



As três pequenas bailarinas que dançam, apenas três das muitas pintadas por Degas. Ou antes: que tentam dançar...
Veja-se agora a mulher sentada. Está sentada como uma pedra no chão. Em repouso e completamente alheada do movimento, do esforço das três raparigas. E está alheada, porquê? Porque lê o jornal. Resta saber se lê o jornal porque está sentada ou se está sentada porque lê o jornal.
E o que lerá esta mulher? Política? Crónicas? Crimes? Economia? Moda? Cusquices? Não interessa. Seja lá o que for, no dia seguinte já será velho. Isto não significa que ler jornais seja mau. Mas é bom saber que há vida para além dos jornais e que o mundo está muito longe de se esgotar no que os jornais nos mostram...
Estas bailarinas desgastam-se para depois nos deleitar. A mulher continua sempre igual a si própria, com as suas velhas e iguais notícias de sempre das quais nunca se cansa, esse eterno retorno que parece não ter começo nem fim...


Mesmo sabendo que existem cortinados de nevoeiro na janela do meu quarto, quero apreciar a "arte", que é vida! neste mundo que nos torna, dia-a-dia, mais pequenos.


«Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas.» Os livros....


Contos. Palavras simples. O que se esconde por baixo da fina capa da realidade. O prazer de desvendar segredos comuns. O prazer de trabalhar com palavras. Os livros e a leveza de escrever...que bela sintonia!...(ou frustração quando se criam as tais expetativas).

Não olhem o mundo com a ilusão interna da construção à medida, olhem-no com olhos de ver. Não o cheirem afastados ou demasiado próximos, ambos turvam a claridade exata, tanto quanto é possível tê-la. Espreitem-no todos os dias sem critério de superioridade ou inferioridade, imiscuam-se nele, percorram-no por dentro e por fora, sem medo e com perseverança.Desiludam-se, sim, por muito que exerçam a tarefa ao rigor matemático a desilusão estará sempre presente, é assim que se constrói a realidade do lado de fora, que a outra é imaginação, idealização de quem quer o mundo, com perfeita sintonia entre o mar e a terra, entre o ar e o céu, escorreitos procurando a sensatez que não há, mas que nós queríamos tanto, mas tanto!!!...


(Às vezes não pensamos nisso, mas a frustração é o que nos torna reais)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Com os olhos bem abertos abarco toda a queda. Eu sei, é Outono.


Sonho de uma noite de outono...


Dei por mim a pensar... de Florença , de Praga, de todo o recheio do Louvre, do Prado...destes encontros, e vontades (porque não?)...
Os verdadeiros encontros são sempre inesperados, acidentais, filhos do acaso. Mas depois de acontecidos, logo se repara que os regeu não o indeterminismo mas a pura necessidade. Mais uma vez deslizamos na pura contradição. Os verdadeiros encontros preparam-se em nós, sem que saibamos o que está a ser preparado, sem que saibamos o que nos espera, sem que saibamos o que deveríamos sequer esperar e encontrar. Não há nada mais secreto que um verdadeiro encontro, embora não haja nada mais cristalino que os verdadeiros encontros.
Eu sei, é Outono...
Dei por mim a pensar

de Florença ou de Praga, de todo o recheio do Louvre, do Prado

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O talento ou acaso não escolhem, para manisfestar-se, nem dias nem lugares. (José Saramago)

Espanta-me a leviandade com que pessoas escrevem livros. Aceito artigos de opinião, ensaios de pequenos textos, blogues, revistas, palavras seguidinhas com um propósito específico de caráter diverso, mas livros são outra questão. Um livro é um conjunto de folhas reunidas onde as palavras se encaixam para um propósito unipessoal, destinado a cada leitor que se deixe desafiar. É um aglomerado de factos, ideias ou histórias com capacidade para sacudir o mundo que nunca mais ficará exatamente igual, perante a novidade. É um conto fantástico e impossível narrado ao pormenor do detalhe, e deixem-me referir-vos aqui as intermitências de Saramago, não há exemplo melhor. É um encaixe encadeado em personagens inventadas mais próprias do que a pele que as escreve, por dentro e para fora. Quando pegamos num livro folheamos e cheiramos as folhas, olhamos a lombada, espreitamos o prefácio e a partir daquele exato momento sabemos que a história também nos pertence. Em conclusão, um livro oferece imaginários, e oferecer imaginários é uma responsabilidade. A ligeireza com que hoje se vendem histórias!... em alguns casos deveria reinar uma certa infertilidade.